Vírus Oropouche se espalhou por todos os estados brasileiros e já infectou 5,5 milhões, estima estudo
26/03/2026
(Foto: Reprodução) Mosquito maruim, transmissor da Febre do Oropouche
Reprodução/TV Gazeta
Um estudo publicado nesta terça-feira (24) pela revista Nature Medicine estima que o vírus Oropouche se espalhou para todos os estados brasileiros e já infectou 5,5 milhões de pessoas no país.
A projeção, que considera o período entre 1960 e 2025, indica também que a doença tem avançado pela América Latina e Caribe, principalmente após 2023.
Segundo a pesquisa, a estimativa é de que cerca de 9,4 milhões de infecções por Oropouche tenham ocorrido nessa região do planeta em 65 anos.
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O trabalho foi conduzido por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Kentucky (EUA) e Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).
O grupo investigou a dinâmica de transmissão em Manaus (AM), e mensurou o número de infecções em países da América. Na capital do Amazonas, a porcentagem de habitantes com anticorpos contra o vírus, o que é indicativo de infecção passada, aumentou de 11,4% para 25,7% de 2023 a 2024.
Endêmica da região Norte e conhecida desde a década de 50, a febre oropouche é transmitida pela picada dos mosquitos maruins. A proliferação da doença ocorre, principalmente, em áreas de solo úmido, que podem ir da Floresta Amazônica até a Mata Atlântica (saiba clicando AQUI).
Mosquito Maruim é estudado por pesquisadores para entender transmissão da febre oropouche
O que explica o avanço da doença?
O estudo destaca Manaus como o primeiro grande centro urbano impactado durante a reemergência da doença entre 2023 e 2024. Por sua alta densidade populacional e intensa mobilidade humana, incluindo a presença do principal aeroporto da região amazônica, a cidade pode ter funcionado como um "hub" de disseminação do vírus para outras áreas.
Entre os fatores que teriam impulsionado o avanço da doença estão:
mudanças no uso do solo e a mobilidade humana, o que pode estar diretamente ligado ao desmatamento;
a ampla distribuição do mosquito transmissor, presente em diferentes regiões das Américas;
a existência de uma população grande e sem exposição prévia ao vírus fora da Amazônia, considerada imunologicamente vulnerável.
Outro fator destacado pelos pesquisadores é que, em Manaus, o aumento dos casos coincidiu com a estação chuvosa, entre dezembro e maio. Esse período apresenta condições mais favoráveis para a reprodução do mosquito transmissor, o que ajuda a explicar a variação sazonal da doença.
Além disso, a reemergência da doença estaria associada a uma nova variante, que poderia apresentar maior capacidade de adaptação e virulência em relação às cepas anteriores, além de potencial habilidade para escapar de anticorpos gerados por infecções passadas.
Subnotificação e impacto subestimado
O estudo também chama atenção para a subnotificação dos casos. Segundo os pesquisadores, o número real de infecções provavelmente é muito maior do que o registrado oficialmente, devido a limitações na vigilância epidemiológica e ao acesso restrito aos serviços de saúde em áreas endêmicas da Amazônia.
Além do território brasileiro, a transmissão autóctone, ou seja, ocorrida dentro dos próprios países, é relatada na Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, Peru e Venezuela entre 2024 e 2025. O trabalho aponta também a detecção de casos relacionados a viagens em países fora da região endêmica, como Canadá, Estados Unidos, além de nações europeias como Itália, Espanha e Alemanha.
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Estratégias de controle específicas
Um segundo estudo, publicado na Nature Health, que analisou a dinâmica do vírus Oropouche no Brasil entre 2014 e 2025, aponta que a infecção já foi confirmada em 894 municípios de todos os estados brasileiros, com mais de 30 mil casos laboratoriais registrados no período.
A pesquisa destaca ainda que a doença apresenta um padrão de transmissão fortemente associado a áreas rurais, onde a incidência foi mais de 11 vezes maior do que em áreas urbanas, diferentemente de arboviroses como dengue, chikungunya e zika, que predominam em ambientes urbanos. Isso reforça a necessidade de estratégias de controle específicas para a doença.
Os dados também indicam que o vírus pode gerar surtos rápidos e intensos, com elevada capacidade de disseminação em determinados períodos, além de uma distribuição desigual no território brasileiro influenciada por fatores climáticos, ambientais e demográficos.
Como a febre é transmitida?
A Febre Oropouche é transmitida principalmente por mosquitos. Depois de picarem uma pessoa ou animal infectado, os mosquitos mantêm o vírus em seu sangue por alguns dias. Quando esses mosquitos picam outra pessoa saudável, podem passar o vírus para ela.
Segundo o Ministério da Saúde, a doença tem dois ciclos de transmissão:
Ciclo Silvestre: neste ciclo, os animais, como bichos-preguiça e macacos, são os portadores do vírus. Alguns tipos de mosquitos, como o Coquilletti diavenezuelensis e o Aedes serratus, também podem ser portadores do vírus, mas o mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor nesse ciclo.
Ciclo Urbano: aqui, os humanos são os principais portadores do vírus. O maruim também é o vetor principal. Além disso, o mosquito Culex quinquefasciatus (o famoso pernilongo ou muriçoca), comum em ambientes urbanos, também pode ocasionalmente transmitir o vírus.
Quais são os sintomas?
Ainda segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da doença são parecidos com os da dengue e da chikungunya:
dor de cabeça
dor muscular
dor nas articulações
náusea
e diarreia
Existe tratamento?
A Febre Oropuche não possui tratamento específico, assim como a dengue. O Ministério da Saúde recomenda que os pacientes descansem, recebam tratamento para os sintomas e sejam acompanhados por médicos.
Para prevenir a doença, são aconselháveis as mesmas medidas de prevenção à dengue:
Evitar áreas com muitos mosquitos, se possível.
Usar roupas que cubram o corpo e aplicar repelente nas áreas expostas da pele.
Manter a casa limpa, eliminando possíveis locais de reprodução de mosquitos, como água parada e folhas acumuladas.
O diagnóstico da doença é difícil porque clinicamente os sintomas se parecem com os da dengue, por exemplo. Por isso, é importante que ao ter os indícios, procure um médico para o acompanhamento.
Embora a Febre do Oropouche (FO) possa causar complicações sérias, como meningite ou encefalite, que afetam o sistema nervoso central, esses casos são raros.
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