Tsunami no Alasca em 2025 foi o segundo maior já registrado e teve onda mais alta que o Empire State
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Rastro do tsunami provocado por um deslizamento de terra no fiorde Tracy Arm, no sul do Alasca, registrado pelo Serviço Geológico dos EUA (USGS) após missão de reconhecimento na região.
USGS via Reuters
O Tracy Arm Fjord, no sudeste do Alasca, dentro da Floresta Nacional Tongass, oferece uma paisagem majestosa, com uma estreita entrada de mar cercada por imponentes paredões de granito, cachoeiras e geleiras.
Em uma manhã do ano passado, ele também foi palco de um poderoso deslizamento de terra que provocou um enorme tsunami.
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Pesquisadores determinaram agora que o tsunami de 10 de agosto de 2025 foi o segundo maior já registrado, com uma onda que chegou a 481 metros de altura — mais alta do que o Empire State Building, em Nova York.
O tsunami avançou pelo fiorde (um enorme vale rochoso inundado pelo mar), arrancando violentamente a vegetação dos paredões rochosos íngremes.
O fiorde é um destino turístico popular, mas, como o tsunami ocorreu às 5h30, não havia navios de cruzeiro nem outras embarcações na via, e ninguém ficou ferido.
Os pesquisadores afirmaram que o deslizamento foi provocado pela mudança climática. A geleira que sustentava a montanha havia recuado em meio ao aumento das temperaturas, deixando a rocha sem apoio.
Animação mostra a formação do tsunami gerado pelo deslizamento de terra ocorrido em 10 de agosto de 2025 no fiorde Tracy Arm, no Alasca.
Science
"O fato de o deslizamento ter ocorrido tão cedo pela manhã foi inacreditavelmente sortudo. Da próxima vez — e haverá uma próxima vez — podemos não ter tanta sorte", disse o geomorfólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary, autor principal do estudo publicado nesta quarta-feira na revista Science.
Locais como esse têm estado na linha de frente dos impactos da mudança climática.
Não havia fotografias ou gravações em vídeo do tsunami, por isso os cientistas reconstruíram os eventos a partir de fotos aéreas tiradas posteriormente, dados de satélite e sísmicos, trabalho de campo no local e relatos de pessoas que estavam nas proximidades na hora.
O Tracy Arm, a cerca de 80 km ao sul de Juneau, capital do Alasca, tem aproximadamente 40 km de comprimento e 1 km de largura, cercado por paredões com mais de 1.000 metros de altura.
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Os pesquisadores determinaram a altura da onda medindo o ponto até onde a vegetação foi arrancada, deixando cicatrizes marcantes nos paredões.
A onda atingiu tamanha altura porque o imenso volume de água deslocado pela rocha do deslizamento foi comprimido em um espaço confinado.
"A vegetação arrasada, como uma marca de banheira ao redor do fiorde, é provavelmente a diferença mais impressionante na aparência do fiorde hoje em comparação com o ano passado, a menos que você estivesse mergulhando e pudesse ver o enorme depósito (de rocha) no fundo do oceano", disse Shugar.
"A vegetação arrancada forma basicamente uma linha muito nítida, abaixo da qual há apenas rocha, sedimento e alguns tocos de árvores, e acima da qual há floresta virgem, intacta como estava em 9 de agosto, antes do tsunami. Como dois mundos diferentes", afirmou Shugar.
Cerca de 64 milhões de metros cúbicos de rocha desabaram em aproximadamente um minuto. Isso equivale a 24 vezes o volume da Grande Pirâmide de Gizé, segundo o geofísico Stephen Hicks, do University College London e coautor do estudo.
"Esse colapso desencadeou uma onda sísmica observada em todo o planeta", disse Hicks.
Algumas ondas ficaram aprisionadas no fiorde, causando o que se chama de seiche — uma oscilação da água — que durou vários dias e gerou uma onda sísmica distinta, segundo Hicks.
Um tsunami semelhante, provocado por um deslizamento no Dickson Fjord, na Groenlândia, em 2023, gerou uma onda de cerca de 200 metros de altura e também um seiche.
Tsunamis são ondas gigantes provocadas por terremotos, erupções vulcânicas submarinas ou deslizamentos de terra.
O maior tsunami já registrado — cerca de 520 metros — também foi um evento localizado, ocorrido na Baía Lituya, no Alasca, em 1958, após um deslizamento.
Tsunamis em mar aberto podem percorrer vastas distâncias e causar danos costeiros enormes e grande perda de vidas.
O tsunami do Oceano Índico de 2004, provocado por um terremoto e que matou cerca de 230 mil pessoas, teve altura registrada de 51 metros em Sumatra.
O tsunami do Japão de 2011, também provocado por um terremoto e que matou mais de 15 mil pessoas, atingiu cerca de 40 metros.
"Tsunamis decorrentes de grandes terremotos ocorrem porque uma falha na crosta rompe o leito oceânico, causando o deslocamento vertical da água acima dela. No caso de eventos provocados por deslizamento, é o desabamento de material de cima para dentro da água que cria a onda", explicou Hicks.
Os dados sísmicos mostraram que houve, sim, sinais de alerta antes do deslizamento no Tracy Arm.
"Em retrospecto, descobrimos que o deslizamento foi precedido por cerca de uma semana de pequenos terremotos, indicando o fraturamento do que viria a ser a massa do deslizamento. Isso nos dá uma possível esperança de desenvolver sistemas de alerta e previsão, em conjunto com outras observações", disse Hicks.
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