Trabalhadores mais velhos vão sustentar o crescimento econômico

  • 25/08/2026
(Foto: Reprodução)
Há alguns anos escrevo sobre as projeções que apontam para o avanço da atuação da mão de obra sênior. Nos Estados Unidos, o relatório mais recente do U.S. Bureau of Labor Statistics – órgão que mede a atividade do mercado de trabalho – mostra que, na faixa de 65 a 74 anos, a participação na força de trabalho deve aumentar 13% na década entre 2023 e 2033. Para aqueles com 75 anos ou mais, a estimativa indica alta de 21,7%. Reunião de trabalho: empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra Shane Gaughan para Pixabay Vidas profissionais longas são inevitáveis. Seja por necessidade financeira ou por mudanças nas políticas previdenciárias, as pessoas trabalharão por mais tempo. A economista Ana Amélia Camarano vai lançar, até o fim do ano, um novo livro que aborda essa tendência no Brasil. Um em cada cinco homens entre 70 e 79 anos continua na ativa, o equivalente a 20% do total de brasileiros nessa faixa etária. Entre as mulheres, o percentual é menor: 8,8%. Camarano define os trabalhadores idosos como “um ativo econômico que pode aumentar a produtividade agregada, a sustentabilidade previdenciária e a autonomia financeira desse grupo”, como registrou o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo . Até 2030, de acordo com pesquisa da consultoria internacional Bain & Company, cerca de 150 milhões de postos de trabalho irão para pessoas acima dos 55 anos nas nações do G7, que reúne as principais economias do planeta: Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido. No entanto, o estudo adverte que poucas empresas estão se preparando para integrar os mais velhos a um ambiente multigeracional. O grande desafio que vem sendo ignorado é o aprimoramento de suas habilidades digitais. Para os EUA, esse é um movimento indispensável, pois o país está ficando sem margem de expansão da força de trabalho em idade ativa. De 2025 a 2064, devido à queda nas taxas de natalidade e a políticas de imigração restritivas, estima-se que o contingente de 18 a 64 anos passe de 203 milhões para 212 milhões. Será um avanço de apenas 4% em um período no qual a população com 65 anos ou mais crescerá 44%. Andrew Scott, professor da London Business School, afirma que longevidade e mudanças climáticas deveriam ser prioridades de todos os governos. Em seu livro The longevity imperative: building a better society for healthier, longer lives (O imperativo da longevidade: construindo uma sociedade melhor para vidas mais longas e saudáveis), defende que viver mais significa produzir por mais tempo, o que só reforça a importância de empresas e governos se mobilizarem para garantir acesso à educação contínua e a oportunidades para a mão de obra sênior. O recado é claro: precisaremos dos trabalhadores mais velhos se quisermos sustentar o crescimento econômico, e as empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra.

FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/08/25/trabalhadores-mais-velhos-vao-sustentar-o-crescimento-economico.ghtml


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