Suspeito de assassinar mulher trans em Tracuateua é preso em Capanema, no Pará

  • 28/08/2026
Polícia prende o suspeito de ter participado de agressão contra mulher trans em Tracuateua A Polícia Civil do Pará prendeu nesta sexta-feira (28) um homem suspeito de envolvimento no assassinato de uma mulher trans no município de Tracuateua, localizado no nordeste do estado. O suspeito, identificado como Genivaldo Miranda Soares, foi localizado e detido na cidade vizinha de Capanema, a mais de 160 quilômetros de distância de onde o crime ocorreu, dois dias após o homicídio. Em depoimento prestado à polícia, Genivaldo confessou a autoria do crime. Segundo a versão do suspeito, a motivação do assassinato estaria relacionada a uma suposta cobrança de dívida no valor de R$ 1.500. Apesar da confissão, a Polícia Civil informou que o caso continua sendo investigado pela Delegacia de Tracuateua para confirmar a real motivação do crime. Inicialmente, a linha de investigação trata o caso como latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Até a publicação desta reportagem, a defesa de Genivaldo Miranda Soares não havia sido localizada para comentar o caso. O crime e a localização do corpo A vítima, Maria Alessandra Roza Silva, de 46 anos, estava desaparecida após ter saído de casa acompanhada por três pessoas, segundo relatos de familiares. Diante da demora incomum para retornar, parentes estranharam a ausência de Maria Alessandra e acionaram a polícia. Após buscas, o corpo da vítima foi encontrado em uma área de mata densa no "Ramal do Japonês", uma estrada vicinal que dá acesso à comunidade de Vila de Fátima, localizada a cerca de 11 quilômetros do centro de Tracuateua. Peritos criminais estiveram no local para realizar a remoção do corpo e colher indícios que auxiliem nas investigações. Os exames preliminares confirmaram que Maria Alessandra foi morta com extrema violência, apresentando múltiplos golpes de madeira concentrados principalmente na região da cabeça. Violência contra a população trans no Brasil O assassinato de Maria Alessandra mobilizou entidades de defesa dos direitos humanos. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexo (ABGLT) informou que está acompanhando de perto o andamento das investigações policiais. A brutalidade do caso reflete um cenário alarmante de violência de gênero e transfobia no país. De acordo com o dossiê mais recente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025. Desse total, 77 vítimas eram travestis ou mulheres trans, e 3 eram homens trans. Ativistas apontam que, embora os números oficiais sirvam de alerta, a subnotificação de crimes de ódio ainda esconde a real dimensão da vulnerabilidade vivida por essa parcela da população no país.

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/08/28/suspeito-de-assassinar-mulher-trans-em-tracuateua-e-preso-em-capanema-no-para.ghtml


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