Polícia investiga empresário por golpe contra clientes de banco digital em Ribeirão Preto
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Empresário de Ribeirão Preto é suspeito de sumir com investimento de clientes
A Polícia Civil investiga um empresário de Ribeirão Preto (SP) por suspeita de aplicar um golpe a correntistas de um banco digital. Os denunciantes acusam Eduardo Scatambulo Ribeiro de estelionato depois que ficaram sem acesso aos investimentos. Um casal afirma ter perdido cerca de R$ 500 mil.
Além de acionar a polícia, as vítimas moveram ações na Justiça para tentar recuperar o dinheiro.
Procurada, a defesa de Scatambulo não foi localizada para comentar o assunto até a publicação desta matéria.
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Publicação em rede social no perfil no Tresory Bank, com sede em Ribeirão Preto, SP
Reprodução
Investimentos e prejuízo
O empresário foi um dos sócios do Tresory Bank. Uma postagem no perfil em uma rede social explica que se trata de um negócio de Ribeirão Preto voltado a empreendedores. A propaganda cita que o banco oferece menos burocracias que as outras instituições.
Em 2023, o Tresory Bank chegou a vencer um prêmio regional na categoria “Revelação Banco Digital”.
Um empresário, que prefere não se identificar, diz ter sido vítima de um golpe. Em 2023, ele investiu R$ 250 mil na instituição após ser convencido da promessa de retorno mensal de 2%.
No entanto, os pagamentos referentes à rentabilidade só foram feitos por dois meses.
Ainda de acordo com o empresário, os rendimentos pagos no começo foram reinvestidos em contratações na empresa de finanças dele. Na sequência, os retornos cessaram assim como a comunicação com Scatambulo, e ele precisou demitir os novos funcionários.
“Meados de outubro e novembro, todo mundo sumiu. Sumiu financeiro, sumiu comercial, sumiu o Eduardo. Ele não respondia mais mensagens, não notificava, não atendia telefone. Não prejudicou só eu, prejudicou muito mais gente. teve gente que eu contratei e tive que demitir. São pessoas onde eram famílias que estavam sendo contratadas ali”, diz.
O empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro, sócio do Tresory Bank em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/Redes sociais
Amigo vítima
O bancário Nicolas Simonacci e a administradora de empresas Mariana Santini também afirmam que foram lesados pelo Tresory Bank. O casal diz ter investido cerca de R$ 500 mil até o fim de 2025. Por alguns meses os pagamentos foram feitos, mas com atrasos.
Segundo Mariana, a situação mudou depois que ela foi convencida por Scatambulo a fazer um novo investimento com liquidez diária. Ela alega que na primeira oportunidade em que precisaram fazer um resgate, começaram as desculpas.
“Eu tinha acabado de aplicar R$ 100 mil em um CDB. Como eu podia resgatar a qualquer momento, eu vou pedir para resgatar um valor pequeno, R$ 10 mil, que estava inclusive precisando para pagar um imprevisto que aconteceu, mas esse dinheiro não caía nunca. Tinha alguma coisa errada.”
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Nicolas é amigo de infância de Scatambulo e conta que confiou o dinheiro do casal a ele por causa da relação próxima.
“Eu confiava nele de olho fechado e pareceu que ele iria devolver. ‘Cara, você é meu irmão, você é minha família, nunca colocaria em risco o dinheiro'. É bem difícil acreditar que ele é uma pessoa dessa índole.”
Extrato de conta no exterior de empresário suspeito de estelionato em Ribeirão Preto, SP
Reprodução
Serviço para o Vaticano
Segundo Nicolas, uma das desculpas apresentadas pelo empresário era de que ele tinha feito um bom negócio fora do país e estava esperando a liberação do dinheiro para repassar aos clientes.
“Ele falou que fez uma operação para o Ministério do Vaticano. Que eles estavam com doações atrasadas de criptomoedas, então ele dizia que fieis católicos de igrejas do mundo inteiro faziam doações para o Vaticano via criptomoeda e o Vaticano não sabia desbloquear e receber esse dinheiro. Então ele, de uma forma genial, foram atrás dele para conseguir essa solução e ele falou que ele destravou para o Vaticano 32 bilhões de doações e recebeu uma comissão de 103 milhões de euros”, conta o bancário.
Um extrato bancário apresentado à reportagem por Mariana e Nicolas seria de uma conta do empresário em um banco suíço. Segundo o casal, o empresário disse que tinha um saldo de 103 milhões de euros.
“Ele mostrava isso para outros clientes de diferentes formas, porque há documentos semelhantes com valores diferentes.”
Mariana Santini e Nicolas Simonacci acusam amigo sócio de banco digital de golpe em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
Esperança de reaver dinheiro
Os contratos das vítimas apontam uma casa em um condomínio de luxo em Ribeirão Preto como um dos endereços do empresário. Na rede social, a sede da Tresory Bank consta em um edifício no Jardim Paulistano em São Paulo (SP).
Os investidores do banco digital esperam recuperar o dinheiro investido e que ele responda pelo crime de estelionato.
“A gente quer reaver nosso dinheiro, encontrar o dinheiro não é uma coisa tão simples assim, mas não é só por isso que estamos processando. É por justiça no sentido de não ter impunidade, que ele responda pelos crimes que ele cometeu. Ele e quem estiver envolvido”, diz Marina.
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