'Não vai me desanimar', diz médica vítima de assédio sexual durante jogo da Série A4 do Campeonato Paulista

  • 10/03/2026
(Foto: Reprodução)
Médica que sofreu assédio em jogo do Comercial espera punição Dois dias após ter sido assediada sexualmente por torcedores dentro do Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto (SP), a médica Bianca Francelino disse na segunda-feira (9) que não vai desistir de atuar em campo e trabalhar com o esporte. "Isso não me desanima, porque eu tenho a paixão pelo esporte. É onde eu quero atuar e, de forma alguma, isso me cala, me desanima ou qualquer coisa do tipo. Eu sei que isso não reflete o espírito do esporte, a união do esporte e do futebol. De forma alguma, uma situação isolada dessa me faz desanimar de prestar esse tipo de serviço". O episódio aconteceu no sábado (7), véspera do Dia da Mulher, durante a partida entre Comercial e Nacional-SP, válida pela nona rodada da Série A4 do Campeonato Paulista. Bianca estava a trabalho e prestava assistência ao time visitante. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp À EPTV, afiliada da TV Globo, a médica revelou que durante toda a partida ouviu palavras ofensivas e de cunho sexual de torcedores que estavam no alambrado. Segundo ela, eles ainda disseram que se ela não estava gostando, não era para estar em campo. "Gritavam 'doutora gostosa' o tempo inteiro. 'Doutora gostosa, vem aqui me examinar', 'doutora gostosa, estou com uma dor aqui', apontando para parte íntima. Pedir WhatsApp, Instagram. Foram esses tipos de brincadeira o tempo inteiro. E também que se eu não quisesse ouvir 'zoeirinhas', não era para eu estar naquele lugar, que era para eu ficar em casa para próxima vez". Bianca Francelino, médica que foi assediada sexualmente por torcedores em estádio em Ribeirão Preto, SP Aurélio Sal/EPTV Em nota, o Comercial repudiou o assédio e disse que um dos torcedores já foi identificado. A Federação Paulista de Futebol informou que o caso foi enviado às autoridades e os responsáveis serão punidos de forma rigorosa. De acordo com a FPF, a árbitra acionou o protocolo previsto no tratado pela diversidade e contra a intolerância no futebol paulista e a médica recebeu apoio. LEIA TAMBÉM Médica do interior de SP é vítima de assédio sexual durante jogo da Série A4 do Paulistão: 'Doutora gostosa, vem me examinar' Abusos físicos, psicológicos, sexuais e morais: mulheres na região de Ribeirão Preto sofrem, em média, 13 violências por dia, aponta painel O namorado de Bianca, o educador físico Paulo Galvão, e o pai dele, sogro da médica, estavam na arquibancada acompanhando o jogo e viram o momento que os torcedores importunaram a médica. À EPTV, Paulo revelou que foi tirar satisfação e ainda foi ameaçado por um dos torcedores. "Vi que ele já estava passando do ponto. No momento que eu vou descer, ele está dando cusparada no campo e aí eu chego e ele já estava falando bastante groselha. Aí eu cutuco ele pra falar e ele já 'que é você que você quer?', 'vou te pegar'. Eu falei 'cara, é minha mulher, estou pedindo respeito'. E aí a todo momento ele fala 'volta para São Paulo, você é do Nacional'. E eu falei 'eu sou de Ribeirão, eu sou comercialino, mas é minha mulher, estou te pedindo respeito'. Segundo ele, a Polícia Militar esteve no local e separou os envolvidos, mas tentou retirar Paulo e o pai do local em vez do torcedor que proferia palavras de cunho sexual à médica. "A polícia chegou, acabou separando. Mas eles queriam retirar eu e meu pai de campo. Eu tentei passar o que estava acontecendo, que eu estava tentando só pedir um pouco de respeito para minha namorada, mas, a princípio, quem ia ser retirado era eu e meu pai, que estava tentando só defender ela. A gente teve que sair de perto alambrado para evitar maiores confusões". A súmula da partida diz que a árbitra Ana Caroline D'Eleutério foi comunicada pelo quarto árbitro sobre o relato feito pelo técnico do Nacional-SP, Tuca Guimarães. 🔎Súmula é um documento oficial elaborado pela equipe de arbitragem relatando, em detalhes, tudo que acontece antes, durante e depois da partida. Segundo o técnico, um torcedor teria segurado e apontado a genitália em direção à médica da equipe do Nacional, que se encontrava na área do banco de reservas. Ainda segundo o relato, a situação gerou início de discussão entre os jogadores reservas e membros da comissão técnica do Nacional com torcedores do Comercial, que estavam próximos ao alambrado. Torcedores e clube podem ser punidos Presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de Ribeirão Preto, o advogado Vitor Silva Muniz diz que o Comercial pode ser responsabilizado pelas atitudes dos torcedores e receber uma multa de até R$ 100 mil. Os torcedores envolvidos ainda poderão ser proibidos de entrar no estádio por quase dois anos. "O ato, conforme foi narrado, pode ser enquadrado no artigo 243 G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva e esse artigo prevê punições para o clube e para o torcedor identificado. O clube desse torcedor pode ser responsabilizado a pagar uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil e o torcedor, sendo identificado, deve ser proibido de ingressar no estádio, nas dependências, por, no mínimo, 720 dias". Ainda segundo o advogado, o clube precisa ter uma relação de torcedores cuja entrada é vedada no estádio para facilitar a proibição de quem foi punido. "O clube é responsável por essa fiscalização e por proibir naturalmente a entrada. Uma vez que isso não seja respeitado e venha a ser noticiado, ele pode sim ser responsabilizado e punido por permitir esse ingresso". Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região S

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/03/10/nao-vai-me-desanimar-diz-medica-vitima-de-assedio-sexual-durante-jogo-da-serie-a4-do-campeonato-paulista.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes