Maior chacina do DF: dois réus devem ser interrogados nesta quinta, 4º dia do julgamento
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Sala de julgamento dos acusados de matar 10 pessoas da mesma família, há 3 anos, na maior chacina do Distrito Federal
Jornal Nacional/ Reprodução
O julgamento dos cinco réus acusados de tramar e executar a maior chacina da história do Distrito Federal chega ao quarto dia nesta quinta-feira (16).
A sessão deve ser retomada às 9h, com o interrogatório dos réus Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva.
➡️Essa etapa pode levar horas, a depender da disposição dos réus em responder às perguntas da defesa, da acusação, do juiz e do júri.
➡️ Quando o interrogatório dos réus for concluído, começa a fase de debates – é o momento em que a acusação e a defesa tentam convencer os jurados, com direito a tempo para réplica e tréplica. É provável que essa etapa só aconteça na sexta-feira (17).
O julgamento começou na segunda-feira (13), e os dois primeiros dias foram dedicados aos depoimentos de testemunhas.
Nesta quarta (15), foram interrogados três dos cinco réus: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Fabrício Silva Canhedo.
Os três depoimentos foram radicalmente diferentes entre si:
Gideon Menezes afirmou ao júri que também é uma vítima, que estava amarrado nos primeiros dias dos crimes e que foi coagido a participar do crime.
Horácio Barbosa recorreu ao direito constitucional de permanecer em silêncio para não produzir prova contra si mesmo. Em nota divulgada à imprensa, a defesa do réu disse que é inegável que os crimes foram cometidos, mas o Ministério Público não conseguiu comprovar a autoria das mortes.
Fabrício Canhedo confessou ter participado dos crimes, implicou os outros réus nas mesmas condutas e disse que agiu porque queria dinheiro para a cirurgia do filho. Durante o interrogatório, ele chorou e pediu perdão a familiares das vítimas.
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Arte/g1
O que diz a denúncia?
A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe".
Segundo o MP do DF, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas.
Veja a ordem cronológica do crime, segundo a denúncia:
Outubro de 2022: segundo o Ministério Público, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam — e também um adolescente — se associam para cometer crimes.
27 de dezembro de 2022: Gideon, Horário e Carlomam, acompanhados de um adolescentente, vão até a chácara e rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior.
Durante a ação, cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina. No local, Marcos é morto e tem o corpo esquartejado por Gideon e Horácio.
A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro.
Fabrício chega ao cativeiro e assume a função de vigilância. Segundo a denúncia, os criminosos passam a usar os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com conhecidos e familiares para não levantar suspeitas e preparar novas abordagens.
Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, são rendidas na casa onde moravam, no Lago Norte. Elas têm bens roubados, incluindo um carro, e são levadas para o mesmo cativeiro onde estavam Renata e Gabriela.
As duas também passam a sofrer ameaças e a ter senhas bancárias exigidas pelos acusados.
12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído até a chácara Quilombo após mensagens enviadas pelos criminosos. Ele é sequestrado com a ajuda de Carlos Henrique Alves da Silva e levado ao cativeiro, onde é mantido sob ameaça.
12 e 13 de janeiro: usando o celular de Thiago, os criminosos entram em contato com Elizamar e a convencem a ir até a chácara Quilombo com os três filhos do casal: Rafael, de 6 anos, Rafaela, 6 anos, e Gabriel, 7 anos. Ao chegar, todos são rendidos e levados até uma rodovia em Cristalina (GO). Segundo o MP do DF, Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, e o carro com os corpos é incendiado. Carlomam acompanhou a ação.
14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, que estavam em cativeiro desde o início, são levadas até uma rodovia em Unaí (MG). Lá, são mortas por estrangulamento, também por Gideon e Horácio, com Carlomam acompanhando, e têm os corpos queimados dentro de um veículo.
Ao saber do assassinato de Renata e Gabriela, Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano.
15 de janeiro: sob ordens de Gideon, Horário e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago até uma cisterna próxima ao cativeiro, em Planaltina. Segundo a denúncia, os três são assassinados a golpes de faca, e os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal.
16 de janeiro: após os crimes, parte do grupo tenta destruir provas. De acordo com o MP do DF, objetos do cativeiro são queimados e o local é alterado para dificultar o trabalho da perícia.
Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão:
homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão;
extorsão: quatro a 10 anos de prisão;
roubo: quatro a 10 anos de prisão;
sequestro: de dois a oito anos de prisão;
constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão;
fraude processual: de três meses a dois anos de prisão;
corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão;
ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão.
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