Mãe e filha grávidas caminham por meia hora para buscar abrigo após sair de casa por risco de deslizamento em Juiz de Fora

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Tainara Tomé Correia Valadão com os filhos e sobrinha Luiza Sudré/g1 “Foi a pior sensação possível. Saímos correndo, sem saber o que fazer, e estamos de mãos atadas”. Esse é o relato de Tainara Tomé Correia Valadão, de 32 anos, grávida de oito meses. Ao lado da filha, de 14, que também espera um bebê, ela percorreu cerca de 30 minutos a pé, acompanhada dos outros filhos, de 12, 10 e 8 anos, até chegar a um abrigo em Juiz de Fora. A família precisou deixar às pressas a casa onde morava, na Rua José de Castro Ribeiro, no bairro Alto dos Três Moinhos, uma das áreas interditadas pela Defesa Civil do município por risco de deslizamento após as fortes chuvas que caíram na cidade ao longo da semana. O principal município da Zona da Mata mineira sofre, desde a última segunda-feira (23), com grandes volumes de chuva. Os temporais causaram dezenas de deslizamentos, mortes e deixaram milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Apesar de o imóvel não ter sido diretamente atingido pelo deslizamento, os acessos ficaram completamente bloqueados pelo barro. Segundo Tainara, todas as saídas ficaram interditadas, o que obrigou a família a atravessar um pasto para conseguir deixar o local. “A casa ainda não caiu, mas não tem como entrar. Está tudo cercado de lama. Tivemos que ir pelo pasto, porque não existia mais passagem”, relatou. Fuga durante a madrugada A gestante Tainara Tomé Correia Valadão, andou por meia hora com os filhos em busca de abrigo em Juiz de Fora Luiza Sudré/g1 A mãe contou que ela e os filhos presenciaram o momento em que o barranco começou a ceder. “Mesmo no escuro, conseguimos ver toda aquela terra descendo em direção às casas.” Diante do risco iminente, a família precisou sair às pressas depois que o ex-cunhado foi até o local para alertá-los sobre o perigo. Eles buscaram refúgio temporário na casa de uma familiar, mas ficaram ilhados entre meia-noite e seis da manhã, sem conseguir sair por conta da intensidade da chuva. Quando o temporal deu trégua, voltaram rapidamente à residência apenas para pegar roupa e decidiram seguir a pé até um abrigo próximo. “Criamos coragem e fomos andando. Estávamos exaustos, sem dormir, com muito medo. Saímos só com a roupa do corpo e uma troca de roupa”, relatou. O destino foi a Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim, onde a família está acolhida desde terça-feira (24). O local é uma das 15 escolas que a Prefeitura de Juiz de Fora transformou em abrigo para receber desalojados e desabrigados. Ao longo do dia, outros familiares também chegaram: duas irmãs, uma delas grávida, e mais oito sobrinhos. 'Ficou tudo para trás' Dentro da casa, ficaram para trás móveis, eletrodomésticos e o enxoval preparado com cuidado para a chegada dos dois bebês. “Eu tinha feito o enxoval com tanto esforço. Era o básico: um berço, um guarda-roupa, as roupinhas que já estavam lavadas e guardadas nas gavetas. Ficou tudo para trás. Não temos como voltar para buscar”, contou. Tainara disse que o aluguel já estava pago e que, no fim do mês, não há recursos para recomeçar. “Não tenho dinheiro para nada. Estamos esperando para saber que tipo de ajuda o poder público vai oferecer. Se a escola voltar a funcionar, para onde vamos? Não tenho para onde ir.” Segundo a moradora, a rua foi considerada inabitável pela Defesa Civil e, por enquanto, o retorno para casa está descartado “Disseram que não podemos mais entrar, que vão demolir tudo. É muito difícil aceitar isso.” Esperança de dias melhores No abrigo, a família tenta reorganizar a rotina enquanto espera por respostas. Mesmo diante das perdas, Tainara busca forças nos filhos e na esperança de dias melhores. “A gente perdeu tudo, mas está vivo. Agora é tentar recomeçar.” INFOGRÁFICO - 52 mortes em 13 bairros de Juiz de Fora Arte/g1 LEIA TAMBÉM: Juiz de Fora transforma escolas em abrigos para vítimas da tragédia da chuva Casal que está em abrigo em Juiz de Fora levou 20 anos para construir casa e perdeu imóvel em deslizamento TV Integração e parceiros fazem campanha de arrecadação para comunidades afetadas pela chuva na Zona da Mata Chuvas fortes provocam novos alagamentos em Juiz de Fora VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/03/01/mae-e-filha-gravidas-caminham-por-meia-hora-para-buscar-abrigo-apos-sair-de-casa-por-risco-de-deslizamento-em-juiz-de-fora.ghtml


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