Mãe de jovem morto após 'gravata' em supermercado cria ateliê para homenagear filho: 'Inspiração'

  • 19/04/2026
(Foto: Reprodução)
Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019 A decisão de levar a júri popular dois seguranças acusados de matar Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, em um supermercado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, provocou sentimentos ambíguos na mãe do jovem. Ao g1, Dinalva Santos de Oliveira afirmou que vê avanços no caso, mas ainda enfrenta a dor da perda. “É a sensação que a vida dele vai sendo empurrada para frente, mas, em compensação, mesmo a passos lentos, a gente vê que alguma coisa está sendo feita.” Sete anos após a morte do filho, Dinalva criou um ateliê de costura com o apelido artístico que ele usava: “Peter”. “Eu criei um ateliê com o nome dele. Recebo pessoas que querem fazer terapia e costuram lá para ser um momento terapêutico”, contou. “Peter Inspira porque ele foi — e continua sendo — minha maior inspiração.” O neto de Dinalva, filho de Pedro Henrique, tinha 6 meses na época do crime e hoje está com 7 anos. Para ela, é inevitável pensar na vida interrompida do filho. “Ele tinha a vida toda pela frente, e todo dia a gente pensa, não tem jeito. Eu faço todos os tipos de terapia que você puder imaginar. Eu já fiz de tudo, mas é um dia de cada vez mesmo — e parece que o tempo piora.” Decisão leva réus ao Tribunal do Júri Pedro Henrique em foto nas redes sociais Reprodução/Redes Sociais A data do júri popular ainda não foi marcada. As defesas dos réus, Davi Amâncio e Edmilson Félix Pereira, recorreram da decisão. Segundo o advogado da família, Marcello Ramalho, a Justiça entendeu que há elementos para que o caso seja julgado como homicídio doloso. “Conseguimos demonstrar que eles agiram com dolo eventual, assumindo o risco de matar”, afirmou. A assistência de acusação pretende pedir celeridade para que o julgamento aconteça após o fim dos recursos. O que diz a decisão judicial A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade. Davi Amâncio foi pronunciado por homicídio qualificado. Segundo a magistrada, há elementos de que ele assumiu o risco de matar ao imobilizar a vítima por estrangulamento. Já Edmilson Félix Pereira teve a participação reconhecida por omissão, por não impedir o resultado, apesar de sua função como vigilante. Relembre o caso Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019 Pedro Henrique Gonzaga morreu em 14 de fevereiro de 2019, após ser imobilizado por um segurança com um golpe conhecido como “mata-leão” ou "gravata". De acordo com o Ministério Público, a imobilização provocou asfixia. O laudo de necropsia apontou que as lesões foram a causa da morte. Imagens registradas na época mostram o jovem já desacordado no chão enquanto era contido, mesmo após alertas de clientes. Testemunhas relataram que ele não reagia enquanto o golpe era mantido. Um dos vigilantes chegou a amarrar as pernas da vítima. Durante a ação, clientes alertaram sobre o estado do jovem: “Ele está roxo”, disse um homem. “Está sufocando”, gritou uma mulher. Mesmo assim, a imobilização continuou. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segurança ficou sobre o homem, já imóvel Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Câmeras de supermercado registram início da ação de segurança contra rapaz que morreu após 'gravata'; vídeo Veja depoimento da mãe sobre a morte do filho O que dizem os citados O g1 entrou em contato com a rede de supermercados nesta terça-feira (14) e aguarda resposta. Em nota enviada à época, em 2019, o Extra informou que os seguranças envolvidos no caso foram imediatamente afastados. "A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma reação a tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca. Após o indivíduo ser contido pelos seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa já abriu um boletim de ocorrência e está contribuindo com as autoridades para o aprofundamento das investigações." Em notas, as defesas dos réus afirmaram que recorreu da decisão da juíza. "A defesa recorreu da decisão em busca do reconhecimento de que o vigilante agiu em legítima defesa, uma vez que a vítima entrou em luta corporal e subtraiu a arma do agente, colocando em risco todos os consumidores do supermercado, o que restou evidenciado pelas câmeras de vigilância do estabelecimento, assim como por diversas testemunhas presentes no local", disse o advogado André França Barreto, advogado de Davi Amâncio. A defesa de Edmilson Félix Pereira afirmou que recorreu da decisão de pronúncia, sustentando a inexistência de crime doloso. O recurso destaca que Edmilson, como vigilante patrimonial, não detinha a posição jurídica de garantidor da vida da vítima e que sua atuação foi limitada a conter riscos imediatos, como o desarmamento dele. "A defesa reafirma que não houve omissão ou aceitação do resultado morte (dolo eventual), mas sim uma atuação técnica de contenção em cenário de crise. Pleiteou-se, neste cenário, a absolvição sumária ou a desclassificação do caso para a modalidade culposa, fora da competência do Tribunal do Júri", afirmou o advogado Paulo Klein.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/04/19/mae-de-jovem-morto-apos-gravata-em-supermercado-cria-atelie-para-homenagear-filho-inspiracao.ghtml


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