Liquidação de instituições ligadas ao Master não gerou 'efeitos' no sistema financeiro, mas cenário global apresenta riscos, diz BC
19/03/2026
(Foto: Reprodução) A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master, ou seja, sua retirada do mercado, não gerou efeitos no âmbito do sistema financeiro nacional, pois os mecanismos de proteção existentes foram acionados.
Mas, o cenário internacional, marcado pela guerra no Oriente Médio, segue apresentando riscos.
As avaliações constam na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central. A reunião aconteceu em 11 e 12 de março, mas o documento foi divulgado somente nesta quinta-feira (19) pela autoridade monetária.
"Os mecanismos de proteção existentes associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro", diz o Banco Central, sobre a liquidação de bancos ligados ao Master.
🔎O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade.
Sede do Banco Master, em São Paulo
Getty Images via BBC
Enquanto a Polícia Federal investiga irregularidades no Master, nove instituições financeiras ligadas ao banco de Daniel Vorcaro, que está preso, foram liquidadas. São elas:
Banco Master S/A
Banco Master de Investimento S/A
Banco Letsbank S/A
Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários
Reag Trust
Will Financeira
Banco Pleno
Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A
Banco Master Múltiplo S/A
Antes do caso vir à tona, o FGC possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa, para o exercício de sua atividade.
As liquidações do conglomerado, incluindo a do próprio Master, do Will Bank e do Pleno, estão consumindo R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados. O valor tem como base estimativas feitas pelo próprio fundo.
Para capitalizar novamente o FGC, o BC anunciou, no início deste mês, resolução para que os bancos direcionem o fundo recursos recolhidos dos depósitos compulsórios. A medida poderá injetar cerca R$ 30 bilhões, no decorrer de 2026, no FGC.
Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno
Guerra no Oriente Médio
Na outra frente da guerra, explosões sacudiram os subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano
Jornal Nacional/ Reprodução
De acordo com análise do Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central, o cenário global "prospectivo" (futuro) "segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais", ou seja, subida do petróleo e mudanças no dólar, por exemplo.
"As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram. Somam-se a essas incertezas, aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco", avaliou o BC.
A autoridade monetária observou, porém, que o sistema financeiro internacional tem demonstrado "resiliência", apesar de a "incerteza de política econômica" permanecer elevada.
"A materialização recente de riscos geopolíticos aumentou a volatilidade nos mercados. Até o momento, os efeitos concentram-se nos preços de commodities, sem contágio em mesma proporção para outros ativos financeiros. O regime de câmbio flutuante segue absorvendo choques e o sistema financeiro internacional segue em realocação ordenada de posições", concluiu.