Hospital Anchieta: moradora do DF denuncia 'sumiço' do corpo da filha por três meses; bebê só foi sepultado um ano depois

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mãe passa meses à procura do corpo da filha que teria nascido morta no Hospital Anchieta Uma moradora do Distrito Federal denuncia que o corpo da filha recém-nascida ficou desaparecido por quase três meses após o parto no Hospital Anchieta, em Taguatinga. O caso veio a tona após a revelação de possíveis mortes provocadas intencionalmente por técnicos de enfermagem no hospital. A bebê nasceu em 12 de maio de 2023 – e, pelos registros oficiais, morreu logo após o parto. Mas só foi enterrada um ano depois, em maio de 2024, após uma longa espera por respostas, exames e decisões judiciais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A mãe, Alyne Pereira, de 31 anos, moradora de Ceilândia, conta que teve uma gravidez de risco e ficou internada por 15 dias no Hospital Anchieta após apresentar um sangramento, em abril de 2023. Segundo ela, durante a internação, pediu diversas vezes para que fosse realizado uma cesárea, mas o médico responsável teria se recusado. “Eu pedia para ele, pelo amor de Deus, para fazer a cesárea em mim. Ele falou: 'de jeito nenhum. Não vou fazer. Deixa nascer pela lei da natureza'", afirma Alyne. O parto foi feito em 12 de maio. O g1 procurou o Hospital Anchieta para comentar as denúncias, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Complicações pós-parto Após o parto, Alyne teve complicações causadas por uma infecção e precisou ser levada às pressas para a UTI. "Não pude pegar. Só me mostrou ela. Falou que tinha nascido morta, sendo que ela estava respirando, eu vi. E logo em seguida, me levaram para a UTI", afirma Alyne. Enquanto estava internada, a família diz que não recebeu informações claras sobre o paradeiro do corpo da bebê. Quando deixou a UTI e foi encaminhada para o quarto, a mãe afirma que pediu para realizar o enterro da filha, mas não teve retorno. Dias depois, ao receber alta, voltou ao hospital para tentar retirar a certidão de óbito, mas o documento foi negado. “Falaram que não sabiam onde estava, que tinha desaparecido o corpo dela. Eu não sabia se ela estava viva, não sabia se realmente ela estava morta”, relata. Durante a internação, Alyne pediu diversas vezes para que fosse realizado um parto cesárea, mas o médico responsável teria se recusado. TV Globo/Reprodução Diante da situação, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal. Quase três meses depois, Alyne afirma que foi chamada para uma reunião com a direção do Hospital Anchieta e informada de que o corpo da bebê havia sido localizado. A justificativa apresentada foi a de que teria ocorrido uma “confusão administrativa”. Somente após essa reunião o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML). Conforme o laudo, o corpo chegou ao instituto acondicionado em um saco plástico, com líquido transparente e odor típico de formol. O exame não conseguiu apontar a causa da morte. O IML solicitou ainda um exame de DNA para confirmar a maternidade. O resultado foi divulgado apenas em 1º de fevereiro de 2024, nove meses após o parto, e apontou compatibilidade genética de 99,99% entre Alyne, o pai e a bebê. Mesmo com a confirmação, a família precisou entrar novamente na Justiça para que o corpo fosse liberado para sepultamento. O enterro ocorreu apenas em maio de 2024, exatamente um ano depois do nascimento. “Foi um sofrimento muito grande, que eu não desejo para mãe nenhuma. Eu quero saber o que realmente aconteceu. Vou até o final para saber. Eu tenho que saber”, diz Alyne. Mais uma ação judicial Em agosto de 2024, a família ingressou com uma ação judicial pedindo indenização por danos morais contra o Hospital Anchieta. Por telefone, o delegado da 12ª Delegacia de Polícia, Hermes Dantas, informou à TV Globo que o inquérito sobre o caso foi arquivado. Segundo ele, para que as investigações sejam retomadas, a família precisa solicitar ao Ministério Público a reabertura do procedimento. A advogada da família, Lays Lopes, afirma que houve falhas graves durante todo o atendimento. “Perder um corpo, não saber onde ele está, negar um atestado de óbito para uma mãe não faz sentido algum. Houve negligência da equipe inteira”, afirma. Segundo a defesa, até o momento o hospital não apresentou pedido de desculpas nem proposta de acordo. Uma audiência está marcada para abril deste ano. “Nenhum dinheiro do mundo vai pagar. Nenhum. Ela sempre vai sofrer”, diz a advogada. SAIBA MAIS: Casos suspeitos continuam a chegar às mãos da Polícia Civil do DF Piora súbita e aplicação de desinfetante: veja detalhes das mortes suspeitas de três pacientes em hospital particular do DF Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/01/30/hospital-anchieta-mulher-denuncia-desaparecimento-do-corpo-da-filha-por-tres-meses-apos-parto.ghtml


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