Guardas municipais de Paranaguá denunciados por atear fogo em pessoa e registrar BO falso são presos

  • 16/09/2026
(Foto: Reprodução)
Guardas municipais de Paranaguá denunciados por atear fogo em pessoa são presos Prefeitura de Paranaguá O Tribunal de Justiça do Paraná determinou a prisão preventiva de dois guardas municipais de Paranaguá, no litoral do estado, denunciados por agredir e colocar fogo em uma pessoa. Um terceiro guarda municipal é suspeito de instruir e auxiliar os outros dois a forjarem e registrarem um Boletim de Ocorrência (BO) com informações falsas sobre o caso. Os nomes dos presos não foram divulgados e o processo segue sob sigilo. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), na madrugada do dia 5 de setembro de 2025, os dois guardas abordaram, sob o falso pretexto de cumprirem um mandado de prisão, um homem indicado como possível autor do furto de uma bicicleta – o que não foi comprovado. Após ser algemado e colocado na viatura, o homem foi levado a um lugar ermo e de difícil acesso, onde foi torturado e incendiado com álcool. Ele conseguiu rolar por um barranco e entrar num rio para se livrar do fogo. O homem foi socorrido e levado pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) ao Hospital Regional de Paranaguá, onde foram constatados ferimentos e queimaduras de segundo grau. Depois da tortura, com o risco de serem descobertos, um terceiro guarda municipal ajudou os outros dois agentes a forjarem uma "versão oficial dissimulada", segundo o Ministério Público. Os investigadores apontam que os guardas agiram "com o objetivo claro de encobrir as agressões e afastar a responsabilização criminal". Os agentes envolvidos formalizaram um boletim de ocorrência (BO) no qual alegavam que abordaram a vítima apenas para resguardá-la contra pessoas que tentavam ou vigilantes privados que poderiam agredi-la. Pelos fatos apontados na investigação do Ministério Público, os três agentes foram denunciados por abuso de autoridade e os dois agentes envolvidos nas agressões também foram denunciados por tortura. LEIA TAMBÉM: Investigação: Suspeito de matar idosa encontrada e enterrá-la no quintal de casa mantinha relacionamento com a vítima há dois anos, diz polícia Sedadas e castigadas: Mais de 70 mulheres eram mantidas em cárcere privado e torturadas em clínica, aponta investigação Vídeo: Mulher desaparece após sair de danceteria e é encontrada morta dentro de vala Apontados como torturadores, guardas municipais continuavam nas funções Segundo o Ministério Público, os dois agentes envolvidos nas agressões continuavam nas funções antes de serem presos. "A Secretaria Municipal, mesmo ciente do fato, não instaurou os procedimentos cabíveis", afirma o MP. O terceiro guarda municipal não foi preso, mas, conforme o MP, está afastado da função em razão de outro processo. Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança de Paranaguá informou que "desde o conhecimento da ocorrência, foram adotadas as providências administrativas cabíveis, com a atuação da Corregedoria-Geral da Guarda Civil Municipal, órgão de controle interno competente para apurar eventual responsabilidade funcional e disciplinar, nos limites de suas atribuições legais". A secretaria reforça também "o compromisso com a legalidade, o controle interno e a responsabilidade funcional". A instituição disse que o caso segue sob acompanhamento, com a adoção das medidas administrativas juridicamente cabíveis, conforme o andamento das apurações. Veja a íntegra da resposta da secretaria abaixo. Letalidade policial parte de um conjunto de fatores, explica especialista Prisões só aconteceram após recurso O Ministério Público informou que a determinação da prisão preventiva atende a um recurso apresentado pela 3ª Promotoria de Justiça da comarca, após o juízo de primeiro grau negar inicialmente o pedido. O órgão afirma que, diante da gravidade dos atos, ingressou com uma ação cautelar e recurso, argumentando que os investigados atuaram sistematicamente para subverter a instrução criminal, ocultar provas e combinar versões. A liminar foi concedida pela 1ª Câmara Criminal do TJPR, determinando a suspensão da decisão de primeiro grau e a expedição dos mandados de prisão cautelar. Na denúncia, além da condenação dos envolvidos, o Ministério Público solicitou também a decretação da perda do cargo público dos agentes e a fixação de valor mínimo de R$ 30 mil para a reparação dos danos sofridos pela vítima. Apontados como torturadores, os guardas foram alvo de mandados de busca e apreensão MPPR Leia a íntegra da nota da Secretaria Municipal de Segurança "A Secretaria Municipal de Segurança informa que acompanha atentamente as recentes informações envolvendo agentes da Guarda Civil Municipal, respeitando a atuação das instituições responsáveis pela apuração dos fatos. Desde o conhecimento da ocorrência, foram adotadas as providências administrativas cabíveis, com a atuação da Corregedoria-Geral da Guarda Civil Municipal, órgão de controle interno competente para apurar eventual responsabilidade funcional e disciplinar, nos limites de suas atribuições legais. A apuração administrativa observa o devido processo legal, o sigilo necessário, a ampla defesa e a independência das instâncias, não cabendo antecipar conclusões sobre fatos que também estão submetidos à apreciação de outras autoridades. A Secretaria Municipal de Segurança reafirma seu compromisso com a legalidade, o controle interno e a responsabilidade funcional. O caso permanece sob acompanhamento, com a adoção das medidas administrativas juridicamente cabíveis, conforme o andamento das apurações." VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/09/16/guardas-municipais-de-paranagua-sao-presos.ghtml


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