Governo Trump ameaça presidente interina da Venezuela com acusações criminais, diz agência
03/03/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez
REUTERS/Kevin Lamarque / Wendys Olivo/Palácio Miraflores/Divulgação via REUTERS
O governo Trump está ameaçando a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com um possível processo criminal para pressioná-la a continuar acatando as ordens dos Estados Unidos, afirma a agência de notícias Reuters.
Segundo quatro pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato, procuradores federais americanos reuniram possíveis acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra Delcy e estão usando essas informações para obrigá-la a continuar cumprindo as exigências de Trump.
A Reuters diz que não teve acesso à versão escrita das acusações contra Rodríguez, mas que é o Ministério Público dos EUA em Miami que está preparando a minuta da acusação, e que o documento vem sendo elaborado nos últimos dois meses.
A investigação se concentra no suposto envolvimento de Rodríguez na lavagem de dinheiro da estatal petrolífera venezuelana PDVSA, disseram três das fontes, e abrange atividades entre 2021 e 2025, disseram duas das fontes.
Ainda de acordo com as fontes, além da minuta de acusação, as autoridades americanas apresentaram a Rodríguez uma lista com pelo menos sete ex-dirigentes do partido, associados e seus familiares que o governo americano deseja que ela prenda ou mantenha sob custódia venezuelana para possível extradição.
O Departamento de Justiça se recusou a comentar a matéria, assim como o Ministério das Comunicações da Venezuela. Após a publicação de um resumo da reportagem no podcast matinal Reuters World News, o vice-procurador-geral Todd Blanche escreveu no X:
"Completamente FALSO. Não sei como notícias falsas desse tipo chegam à publicação".
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A notícia sobre o uso das acusações contra Delcy como moeda de troca ocorrem dois meses após a captura de Nicolás Maduro, que segue preso em Nova York, pelos EUA.
Após a derrubada de Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o governo interino de Rodríguez estaria sob tutela americana e chegou a ameaçar, em entrevista, que Rodríguez pagaria um “preço muito alto” caso não cooperasse com os Estados Unidos.
No entanto, no dia 13 de fevereiro, Trump elogiou a presidente interina da Venezuela. Definiu a relação de Rodríguez com Washington como "ótima" e garantiu os governos americano e venezuelano estão "trabalhando em estreita colaboração" na questão do petróleo.
Após revelar que estava planejando visitar a Venezuela - mas ainda sem data marcada -, ele foi questionado pela Reuters se reconheceria Rodríguez como representante oficial do governo, Trump respondeu:
"Sim, já fizemos isso. Estamos lidando com eles e, na verdade, neste momento eles estão fazendo um ótimo trabalho. Eu diria que a relação que temos agora com a Venezuela é nota 10".
Um dia antes, em post na rede Truth Social, ele afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, e outros funcionários do governo estavam "lidando muito bem" com a presidente interina, e que o "petróleo está começando a fluir".
"As relações entre a Venezuela e os Estados Unidos têm sido, para dizer o mínimo, extraordinárias! Estamos lidando muito bem com a Presidente Delcy Rodríguez e seus representantes. O petróleo está começando a fluir e grandes quantias de dinheiro, não vistas há muitos anos, em breve ajudarão muito o povo da Venezuela", escreveu.
Já Delcy Rodríguez, em entrevista para a NBC News, disse ter sido convidada para ir aos Estados Unidos durante a visita do secretário de Energia americano, Chris Wright, a Caracas e que estava considerando aceitar o convite:
"Fui convidada para os Estados Unidos. Estamos considerando ir para lá assim que estabelecermos essa cooperação e pudermos avançar com tudo".
Apesar das declarações positivas de ambos os lados, recentemente, no dia 25 de janeiro, Delcy Rodríguez afirmou que estava “farta” das ordens vindas de Washington.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, declarou Rodríguez durante um discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país.
Advogada, Delcy Rodríguez tem 55 anos e ocupa cargos no governo venezuelano desde 2003, ainda na gestão de Hugo Chávez. Conhecida pelo perfil combativo, ela é presença constante nos momentos de maior tensão institucional no país.
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