França aprova lei que acaba com 'obrigação sexual' entre pessoas casadas

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
Casal deitado na cama Andrea Piacquadio/Pexels A Assembleia Nacional francesa aprovou, por unanimidade, uma lei que esclarece a ausência de qualquer obrigação de manter relações sexuais entre cônjuges, eliminando uma ambiguidade no Código Civil. A proposta busca reforçar o princípio do consentimento e prevenir situações de estupro dentro do casamento. O texto, que determina o fim do “dever conjugal”, foi aprovado na quarta-feira (28) e ainda precisa ser avaliado pelo Senado. Os autores da proposta, os deputados Marie-Charlotte Garin (Partido Verde) e Paul Christophe (Horizontes, de direita) esperam que o projeto seja promulgado até o fim do semestre. Hoje, o Código Civil francês prevê quatro deveres dos cônjuges durante o casamento: fidelidade, sustento, assistência e coabitação. Embora não haja referência a obrigação de manter relações sexuais, a jurisprudência consolidada às vezes equipara a coabitação a “dormir juntos”, perpetuando a ideia de um suposto “dever conjugal”. Em 2019, um homem obteve o divórcio alegando culpa exclusiva da esposa — critério ainda relevante para determinar o rompimento definitivo de uma casamento civil na França. Ele alegou que a esposa havia cessado de manter relações sexuais com ele por vários anos. A mulher recorreu ao Tribunal de Cassação, sem sucesso, e o caso foi levado ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), que condenou a França por essa questão em janeiro de 2025. LEIA TAMBÉM: Após marido conseguir divórcio por falta de sexo, francesa ganha recurso feito a tribunal de direitos humanos “Ao permitir que tal obrigação permaneça em nossa legislação, endossamos coletivamente um sistema de dominação, um sistema de abuso do marido sobre a esposa”, afirmou a deputada Marie-Charlotte Garin. Segundo ela, é essencial deixar claro que “o casamento não pode ser uma bolha em que o consentimento seja adquirido, definitivo e vitalício”. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Argumento utilizado para divórcio O texto aprovado reforça que, de acordo com o Código Civil, a coabitação não cria qualquer obrigação para os cônjuges de manterem relações sexuais. Também acrescent que é impossível fundamentar um divórcio na ausência ou recusa de relações sexuais — argumento que ainda aparece em alguns processos. Citando estudos, o deputado Paul Christophe destacou ainda que um em cada quatro homens na França considera normal que uma mulher faça sexo por obrigação, e não por desejo. “É nosso dever lembrá-los de que estão enganados”, enfatizou. O objetivo é “conscientizar os cônjuges sobre a questão da violência sexual durante a cerimônia de casamento”, sendo a leitura dos direitos fundamentais pelo cartório de registro civil um momento oportuno para esse esforço educativo, segundo os autores. Parlamentares de esquerda tentaram, sem sucesso, remover a menção à fidelidade do artigo que lista as obrigações decorrentes do casamento, argumentando que esse conceito também poderia ser interpretado como uma obrigação de relações sexuais entre os cônjuges. Com AFP

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/30/franca-aprova-lei-que-acaba-com-obrigacao-sexual-entre-pessoas-casadas.ghtml


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