'Forte e de bigode': PM é preso após reconhecimento por fotos na internet em caso de abordagem violenta em MS
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Abordagem violenta
Um policial militar rodoviário está preso desde o início de maio, no presídio militar de Campo Grande, por decisão da Justiça. A prisão ocorreu após investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre uma abordagem na fronteira entre Brasil e Paraguai.
A Associação de Praças da Polícia Militar contesta a prisão. Segundo a entidade, o reconhecimento do agente foi feito apenas por fotos na internet.
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O militar responde a um processo por coação durante uma abordagem na região de fronteira.
A denúncia foi feita por um homem que diz ser servidor público federal e já ter atuado como técnico judiciário, trabalhando com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele registrou o caso pelo celular junto a autoridades policiais e do Judiciário.
Após o registro, a corregedoria da Polícia Militar abriu um inquérito.
Abordagem violenta
Em depoimento, o homem contou que esteve em Mato Grosso do Sul em setembro de 2025. Ele afirma que é dono de uma transportadora e procurava uma retroescavadeira furtada em abril de 2024, em Cocalzinho de Goiás (GO). Segundo ele, recebeu a informação de um policial de Ponta Porã de que uma máquina parecida teria sido encontrada em Coronel Sapucaia (MS).
Ele foi até a cidade, mas a máquina estava no lado paraguaio da fronteira, o que impediu a confirmação. Ao retornar para Brasília, foi abordado na base de Aquidabã, em Ponta Porã (MS).
Segundo o relato, dois policiais agiram de forma violenta. Ele descreve um dos agentes como "mais alto, forte e com bigode". Afirma que o policial mandou que ele se ajoelhasse, apontou uma arma para o seu rosto e disse que poderia atirar e jogar o corpo no país vizinho.
O homem também afirma que o policial mandou que ele estendesse o braço direito e disse que faria um disparo em sua mão. Segundo o depoimento, o agente atirou, mas o disparo não o atingiu.
Ainda de acordo com o relato, ele foi agredido por não querer desbloquear o celular. Disse que levou um tapa, caiu no chão e teve os aparelhos acessados pelos policiais, que teriam visto mensagens e conteúdos pessoais.
Ele afirma ainda que, ao entrar no veículo, levou um chute nas costas e foi mandado embora.
Todos os policiais que estavam na base naquela noite foram ouvidos. Dois foram apontados como responsáveis pela abordagem.
Apesar disso, o documento de conclusão do caso afirma que "se pode concluir que o denunciante não apresentou elementos suficientes que possam comprovar suas alegações. (...) Diante do exposto, concluo que não há indícios de crime militar e não há indícios transgressão da disciplina por parte dos policiais militares".
Arquivamento do inquérito
A pedido do MP, o juiz Albino Coimbra Neto determinou o arquivamento do inquérito em 26 de fevereiro deste ano.
Depois disso, o próprio MP abriu uma nova investigação, sob sigilo, e pediu a prisão de dois policiais. Um deles já havia sido apontado como autor da abordagem. O outro estava na base naquela noite, mas, segundo a investigação da Polícia Militar, não teria tido contato com o denunciante.
Associação contesta
Para a Associação de Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (Aspra), a prisão é irregular. A entidade afirma que o reconhecimento foi feito pela internet, com base em fotos de policiais.
"Ele alega que de fato é esse policial, mas ele não tem a certeza. De qualquer maneira, esse policial que alega ser, que é nosso associado, não tem características que a suposta vitima alega. É totalmente diferente, e nem faz parte da equipe, e sim do policiamento rodoviário ordinário e naquele dia estava de serviço", afirma.
No boletim de ocorrência, a vítima relatou dificuldade para reconhecer os policiais, pois não havia identificação nas fardas. Disse que poderia reconhecê-los pela voz. Ele descreveu um dos agentes como mais baixo, moreno, e o outro como branco, mais alto e com bigode, sendo este o autor do disparo.
O advogado criminalista Lucas Arguelho Rocha afirma que o reconhecimento à distância pode ser aceito, mas não deve ser feito apenas com fotos.
"Justamente para que não aconteça uma prisão injusta, a lei obriga e determina que existindo dúvida, sejam colocadas outras duas pessoas semelhantes para que essa vítima faça o reconhecimento e aponte. Mesmo assim, pode haver erro ali. Só fazer um reconhecimento com base em uma foto de um cidadão apenas, a vitima sob pressão vai reconhecer, é o que os estudos demonstram", ressalta.
Denúncia foi feita por homem que diz ser servidor público federal e já ter atuado como técnico judiciário.
Reprodução
Características do policial repassadas pelo homem.
Reprodução
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