Esquema dentro da Polícia Civil de SP convertia dinheiro vivo em créditos de vale-refeição para lavar propina do crime, dizem MP e PF

  • 05/03/2026
(Foto: Reprodução)
MPF e PF apuram corrupção na Polícia Civil de SP O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Federal realizam, na manhã desta quinta-feira (5), uma operação contra um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que teria se instalado em departamentos estratégicos da Polícia Civil de São Paulo. As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-SP) apontam que o grupo transformava dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição para ocultar a origem de propinas. Em um dos episódios citados pela Promotoria, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para não dar prosseguimento a um inquérito. De acordo com os investigadores, o mecanismo funcionava por meio de estabelecimentos comerciais fictícios que registravam vendas inexistentes. Assim, valores em dinheiro de origem ilegal eram convertidos em créditos em cartões de benefícios, dificultando o rastreamento do dinheiro. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades". A investigação também aponta o uso de empresas de fachada e a simulação de operações de importação para dar aparência legal aos recursos. Dinheiro encontrado em gaveta de policial alvo de operação contra corrupção na Polícia Civil de SP Divulgação Presos Seis pessoas foram presas na operação: três policiais civis, incluindo um delegado, uma doleira e outros dois investigados. No total, a Justiça decretou a prisão de 11 investigados e autorizou o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos e às empresas de fachada utilizadas no esquema. Segundo decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo teria transformado delegacias especializadas em um espaço de negociações para garantir a impunidade de criminosos investigados. Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, investigados na Operação Lava Jato, são apontados como operadores financeiros do esquema. De acordo com o Ministério Público, a rede também contava com a atuação de agentes públicos que ajudariam a evitar fiscalizações e a encerrar investigações após o pagamento de propina. Viatura da Polícia Civil de São Paulo. Divulgação/SSP O documento judicial descreve ainda episódios de corrupção envolvendo o Departamento de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Em um dos casos relatados, investigados teriam tido acesso às dependências do DPPC para substituir um disco rígido (HD) apreendido por outro dispositivo sem informações incriminatórias. Também há menções a pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e extorsões no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, na Zona Sul da capital paulista. Os alvos incluem residências particulares, escritórios de advocacia e as sedes das delegacias onde os policiais investigados estavam lotados, como o DPPC, o Deic e o 16º Distrito Policial. Ao autorizar as medidas cautelares, o juiz do caso afirmou que houve “subversão ao dever funcional” por parte dos agentes públicos envolvidos e que a gravidade dos fatos justifica a intervenção judicial para interromper as atividades da organização criminosa. Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Divulgação/MP-SP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/05/esquema-dentro-da-policia-civil-de-sp-convertia-dinheiro-vivo-em-creditos-de-vale-refeicao-para-lavar-propina-do-crime-dizem-mp-e-pf.ghtml


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