Em primeira viagem à Lua com banheiro, Artemis II apresenta problema: como astronautas faziam suas necessidades antes?
02/04/2026
(Foto: Reprodução) Veja o cronograma da Artemis II
Após alguns contratempos no momento do lançamento, a Artemis II finalmente alçou voo em direção à lua. Os astronautas, no entanto, não contavam que logo após entrarem em órbita já teriam de resolver um problema inédito: o banheiro da espaçonave.
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Inédito porque essa é a primeira missão tripulada ao redor da Lua equipada com um banheiro completo — o que também pode levantar uma dúvida quase que inevitável: como os astronautas iam ao banheiro nas missões anteriores?
Como os astronautas iam ao banheiro antes da Artemis II?
Nas décadas de 1960 e 1970, as missões que levaram astronautas à Lua não contavam com banheiro nem com qualquer área destinada a essa finalidade.
Na época, os tripulantes tinham de usar sacos de coleta de resíduos e os deixavam na superfície lunar a fim de reduzir a massa e o risco de contaminação durante a viagem de volta à Terra.
Hoje, os saquinhos ficaram de lado.
Astronautas chegam ao local de lançamento da missão Artemis 2 na Flórida
Getty Images
O Artemis II possui um banheiro com uma porta no chão, situada ao lado da escotilha que os astronautas usam para entrar na espaçonave.
O banheiro, no entanto, não é tão confortável assim. Lá faz muito barulho, ao ponto de serem necessários protetores auditivos, segundo a especialista de missão da Nasa, Christina Koch, em um vídeo gravado para a National Geographic.
Para além de ter que tomar cuidado com os ouvidos, os tripulantes também têm de segurar em corrimãos e usar amarras nos pés — já que a microgravidade não segura muita coisa no lugar.
O sistema sanitário é composto por dois mecanismos distintos de coleta: um funil acoplado a uma mangueira, destinado à urina, e um assento específico para dejetos sólidos. Um sistema de ventilação automatizado funciona simultaneamente, diminuindo odores e direcionando os resíduos para recipientes de armazenamento, mantendo-os separados entre si e afastados dos astronautas.
“Somos bastante afortunados, como tripulação, por termos um banheiro com porta nesta minúscula espaçonave — o único lugar onde podemos ir durante a missão e onde podemos realmente sentir que estamos sozinhos por um momento”, disse Jeremy Hansen, especialista de missão da Artemis II da Agência Espacial Canadense, em um vídeo.
'Houston, we have a problem'
A famosa frase "Houston, we have a problem" — usada pelo astronauta Jack Swigert da Apollo 13, após a explosão de um tanque de oxigênio — poderia muito bem ser dita por um dos tripulantes da Artemis II quando identificaram uma luz de falha piscando no painel.
O aviso indicava um problema no Universal Waste Management System (UWMS) — sistema responsável pela coleta e armazenamento de urina e fezes a bordo.
A missão Artemis II da NASA, que prevê um sobrevoo lunar e é composta pelo foguete Space Launch System (SLS) com a cápsula tripulada Orion, decola do Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida, EUA, em 1º de abril de 2026
Joe Skipper/Reuters
Segundo a NASA, tratava-se de uma falha de controle associada ao equipamento. A equipe em Houston analisou os dados em tempo real e orientou a tripulação a executar procedimentos de diagnóstico.
Durante o período de instabilidade, os astronautas recorreram a soluções de contingência, como bolsas especiais para coleta de urina, previstas para emergências. O uso para resíduos sólidos permaneceu disponível.
A astronauta Christina Koch seguiu as instruções enviadas pelo controle da missão e conseguiu restabelecer o funcionamento do sistema após algumas horas. O ventilador — componente essencial para aspirar os resíduos em ambiente de microgravidade — voltou a operar normalmente.
A agência informou que o episódio não comprometeu a segurança da missão.