Cunhado de Vorcaro fez aporte de R$ 48,5 milhões em empresa usada para pagar Sicário
23/03/2026
(Foto: Reprodução) Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso tentando embarcar para Dubai, em um avião particular.
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O empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez uma aplicação na Super Empreendimentos no valor de R$ 48,5 milhões em 2022, de acordo com sua declaração de Imposto de Renda.
A Super é uma empresa apontada pela Polícia Federal como sendo utilizada pelo grupo para "prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro" para a "turma", que seriam as pessoas que faziam o trabalho miliciano de Vorcaro, como os que eram prestados pelo Sicário, Luiz Felipe Mourão.
De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024.
A informação foi feita por Zettel em sua declaração de Imposto de Renda feita em 2022 e que foi solicitada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado à Receita Federal.
Na declaração, Zettel informa que fez o aporte de R$ 48,5 milhões na forma de um adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC).
Na prática, ele transferiu dinheiro para a empresa sem que precisasse pagar o imposto sobre transações financeiras (IOF), cobrado quando o envio de dinheiro do sócio é para aumento do patrimônio social da empresa, por exemplo.
O g1 entrou em contato com as defesas de Vorcaro e Zettel, mas nenhuma delas respondeu.
Documentos mostram que Zettel, cunhado de Vorcaro, movimentou quase R$100 milhões em 7 meses
Declaração de IR
A declaração do Imposto de Renda de Zettel ainda aponta que em 2022 ele tinha um patrimônio de R$ 189 milhões. Os bens eram constituídos, principalmente, de imóveis e participações em empresas, como a Super. E só naquele ano, adquiriu R$ 15 milhões em relógios e joias.
A declaração ainda mostra que o patrimônio dele quase que triplicou entre 2021 e 2022, saltando de R$ 67,4 milhões para R$ 189,7 milhões.
A declaração ainda diz que o pastor faturou R$ 139 milhões naquele ano por meio de lucros em seu escritório de advocacia e que doou R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Sicário
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, ficou conhecido como "Sicário" de Vorcaro, após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Os investigadores mencionam também uma "dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão", e indica que ele atuaria como 'longa manus' (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização.
O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos "serviços ilícitos".