Cinco dias após desabamento de ponte, terceiro ferido tem alta de hospital no Acre
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Antônio Morais Lima Filho foi um dos feridos no desabamento da ponte Frei Paolino, em Sena Madureira, no Acre
Arquivo pessoal
Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, um dos feridos no desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, interior do Acre, recebeu alta do Pronto-Socorro de Rio Branco nesta quarta-feira (10) e se recupera em casa. A informação foi divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre).
Ainda conforme a pasta, ele teve um dreno torácico retirado e já está a caminho do município.
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A ponte desabou na noite de sexta-feira (5) com quatro pessoas em cima. A estrutura estava interditada desde quinta (4) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o desabamento e as pessoas, que ultrapassaram o bloqueio, passando. Veja quem são os feridos aqui.
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Nessa terça-feira, o advogado Edinei Muniz também teve alta médica. O irmão dele, o juiz aposentado Edinaldo Muniz, segue na UTI do PS e não teve alteração no quadro nesta quarta.
Morais trabalhava com Weverton Murieta, outro ferido e o primeiro a receber alta. Conforme o relato de Murieta, ele e o amigo voltavam do serviço quando encontraram com o ex-magistrado e o irmão, que pediram para mostrar onde ficava a falha na ponte.
A estrutura desabou com os quatro homens em cima.
Feridos do acidente são Edinaldo Muniz, Edinei Muniz, Weverton Murieta e Antônio Morais Filho
Reprodução
Inquérito
A Polícia Civil confirmou que instaurou um inquérito para apurar as causas do desabamento. A investigação deve ser concluída em 30 dias.
O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, confirmou ao g1 no sábado (6) que peritos do município já fizeram uma perícia preliminar no local do desmoronamento. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para conduzir a investigação.
O Ministério Público do Acre (MP-AC) também confirmou que a Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira instaurou um procedimento para apurar as causas do acidente. O órgão solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia na área do acidente para identificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou na utilização do material.
Ponte interditada desaba no Acre
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão, o que dá cerca de 139 metros.
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À época da abertura, a Prefeitura de Sena Madureira estimava que 2,5 mil pessoas seriam beneficiadas pela passagem, que ligava os dois distritos do município.
Relato de sobrevivente
Weverton Murieta, um dos sobreviventes do desabamento, relatou que ele e os outros três feridos estavam sobre a ponte no momento do desastre.
Ele trabalhava com Antônio Morais Filho descarregando um caminhão de mercadorias e voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, em cima da ponte.
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Conforme o trabalhador, Edinaldo pediu a eles que mostrassem a rachadura na ponte e eles decidiram acompanhar o ex-magistrado.
"Eu disse: 'Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor'. Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para ir com ele, aí quando eu passei na frente para mostrar para, eu cheguei pertinho para mostrar, a ponte desabou", contou.
Weverton contou ainda o que se lembra do momento da queda. Ele chegou a cair no fundo do rio e se agarrou à própria estrutura que desabou para não voltar a afundar.
"Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte. Subi em cima da ponte de novo, que estava arriada", disse.
Antônio Morais foi um dos feridos em estado gravíssimo, com traumatismo. Ele foi transferido para a capital, assim como os irmãos, Edinaldo e Edinei Muniz. Ainda não há atualização do estado de saúde nesse sábado (6).
Weverton Murieta relatou ainda que viu Antônio ferido e conseguiu gritar por socorro. "Eu corri em cima da ponte procurando o meu amigo, vi ele deitado, tinham uns ferros nele. Vi que estava respirando e comecei a gritar 'socorro, socorro'", acrescentou.
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