‘Celular-bomba’ e apagamento seletivo: PF lista manobras de Bacellar para fugir da investigação

  • 28/02/2026
(Foto: Reprodução)
Rodrigo Bacellar, TH Joias e mais 3 são indiciados pela PF por ligação com o Comando Verme A Polícia Federal (PF) listou uma série de manobras atribuídas ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente licenciado da Alerj, e a outros investigados para dificultar a ação da Justiça, ocultar provas e evitar o rastreamento das comunicações. As informações constam no inquérito que indiciou Bacellar; o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias; Flávia Júdice Neto; Jéssica Oliveira Santos; e Tharcio Nascimento Salgado por suspeita de vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. Segundo a PF, as “contramedidas” foram divididas em núcleos de atuação e incluem uso de “celulares-bomba”, apagamento seletivo de dados em nuvem, tentativas de interferência política e estratégias para atrasar processos. Desembargador Macário Judice Neto e o deputado estadual do RJ Rodrigo Bacellar Divulgação Rodrigo Bacellar e entorno próximo De acordo com o relatório, Bacellar utilizava aparelhos telefônicos em nome de terceiros, descritos como “terminais-bomba”, para operar em circuitos restritos e limitar o rastreio de contatos e de fluxos de comunicação. No momento da prisão do deputado, em dezembro, um outro celular desse tipo foi encontrado no veículo do deputado. A PF aponta que Bacellar também utilizava terceiros para realizar reservas de hospedagem, como em viagens a Brasília, com o objetivo de evitar a associação direta do seu nome a locais de permanência ou encontros. Ainda segundo os investigadores, o deputado dava preferência a ligações por vídeo para tratar de assuntos considerados sensíveis, numa tentativa de dificultar eventual interceptação. Com um assessor de , foi apreendido um manuscrito com orientações técnicas para exclusão de dados, suspensão de backups e ajustes no iCloud — a plataforma da Apple de armazenamento em nuvem —para “desativar tudo”. Para a PF, o documento indica preocupação em eliminar vestígios digitais. TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj Divulgação Desembargador Macário Júdice e Flávia Júdice O relatório afirma que o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Macário Júdice Neto e a mulher, Flávia Júdice, intensificaram medidas após o avanço das investigações da Operação Unha e Carne. A investigação aponta que Macário buscou tutoriais para alterar credenciais do iCloud e promover o apagamento seletivo de conversas, especialmente diálogos mantidos com Rodrigo Bacellar. A perícia, segundo a PF, constatou que as contas vinculadas ao desembargador continham uma “quantidade irrisória” de arquivos após as alterações. O magistrado também teria realizado pesquisas sobre o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, e o diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, para identificar possíveis ingerências ou pontos de pressão. Flávia, por sua vez, teria pesquisado como excluir imagens de sistemas de monitoramento e como ocultar aplicativos no iPhone. A PF afirma ainda que Macário tentou reiteradamente declinar a competência de processos para outras instâncias, como o Supremo Tribunal Federal (STF) ou a 1ª instância, numa estratégia para atrasar julgamentos e tentar atribuir a responsabilidade por vazamentos a terceiros. Macário chegou a ser preso no curso das investigações, mas não foi indiciado. Segundo a PF, a medida se deve às regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados. O que dizem os investigados Nota de Rodrigo Bacellar “Em relação ao Presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, a defesa esclarece que inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas. A defesa destaca ser descabido o indiciamento efetivado, realizado muito mais para justificar a ação açodada da Autoridade Policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores.” Nota de TH Joias “A defesa de TH Joias informa aos jornalistas e nega peremptoriamente qualquer participação de Thiago em qualquer possibilidade de vazamento ou informações a qualquer organização criminosa do Estado do Rio de Janeiro. Sua relação com o deputado Rodrigo Bacelar era uma relação urbana, uma relação de parlamento entre colegas de Parlamento. Assim como, TH Joias jamais conheceu e sequer teve qualquer contato com o desembargador Macário ou qualquer outro personagem deste inquérito policial e desta confusão.” O g1 tenta contato com as defesas dos demais citados.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/02/28/pf-lista-contramedidas-em-relatorio-de-indiciamento.ghtml


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