Casal de Ribeirão Preto, SP, perde R$ 53,4 mil após golpe do falso advogado: 'Era o dinheiro que a gente tinha pra tudo'
30/01/2026
(Foto: Reprodução) Casal de Ribeirão Preto, SP, perde R$ 53,4 mil após golpe do falso advogado
Um casal de Ribeirão Preto (SP) perdeu cerca de R$ 53 mil depois de cair em um golpe em que criminosos se passaram pelo advogado da família e por um suposto representante do Tribunal de Justiça.
O caso aconteceu na terça-feira (27), quando, durante uma ligação, Dario José Tales foi orientado a acessar aplicativos bancários e os golpistas conseguiram espelhar a tela do celular e movimentar as contas bancárias das vítimas.
No mesmo dia, Dario e a mulher, Renata Tales, registraram um boletim de ocorrência pelo crime de estelionato. O prejuízo já chega a R$ 53,4 mil.
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Ao g1, Renata contou que na terça-feira, o marido recebeu mensagens pelo WhatsApp informando que ele tinha ganhado uma ação judicial que movia e que seria necessário 'regularizar' os dados para que o dinheiro fosse liberado.
Print mostra mensagens enviadas por golpista que se passou pelo advogado da vítima durante o golpe que causou prejuízo de mais de R$ 53 mil ao casal, em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo pessoal
A partir disso, o golpista, se passando pelo advogado da família, convenceu Dario a fazer uma ligação, onde os criminosos passaram a orientar os acessos aos aplicativos bancários (veja mais abaixo).
Ao perceberem o golpe, Dario e Renata procuraram a polícia e os bancos onde são correntistas. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Também procurado, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo informou que publica alertas à população frequentemente, por meio do site oficial do TJ e das redes sociais.
"Quadrilhas utilizam o nome, logotipo e informações de empresas, escritórios de advocacia, bancos e instituições públicas – entre elas, o Tribunal de Justiça de São Paulo – para ludibriar o cidadão e praticar crimes diversos, seja por telefonemas, mensagens por aplicativo, cartas ou mesmo com a criação de falsos sites de leilões. As publicações do TJSP orientam sobre que cuidados tomar para não cair nesse tipo de golpe e como proceder. Se a fraude já foi consumada, é fundamental registrar boletim de ocorrência em uma delegacia, para que as autoridades policiais competentes possam investigar o caso".
Como o golpe aconteceu
Em entrevista ao g1, Renata Tales contou que o marido move uma ação na Justiça relacionada à compra de um veículo, o que fez com que ele acreditasse no contato do falso advogado.
"Eles clonaram o telefone do advogado, colocaram a foto dele, o nome dele. Mandaram mensagem parabenizando, dizendo que a ação tinha saído. Depois falaram que outra pessoa, do Tribunal [de Justiça do Estado de São Paulo], ia ligar para regularizar uma conta para fazer o crédito".
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Em um dos prints aos quais o g1 teve acesso, que mostra a conversa de Dario com o falso advogado, o golpista chega a agradecer a vítima pela confiança no trabalho dele.
"Quero agradecer você pela sua confiança no meu trabalho durante todo esse tempo, Gratidão..🙏🏻"
Registro mostra o contato feito pelo golpista que se passou pelo advogado da família
Arquivo pessoal
Segundo Renata, pouco depois do contato com o falso advogado, Dario recebeu a ligação de um homem que se apresentou como funcionário do Tribunal de Justiça. Durante a conversa, ele recebeu um link e foi orientado a acessá-lo.
A partir deste momento, os criminosos conseguiram espelhar a tela do celular e passaram a ter acesso a tudo que era feito no aparelho.
"Ele [o golpista] começou a orientar o Dario a entrar nos bancos, dizia para acessar para ver se tinha imposto, para regularizar conta. O Dario não sabia que eles estavam vendo tudo o que estava na tela. Ele entrava achando que estava só conferindo informação, e eles iam transferindo. Teve Pix, teve empréstimo, teve cartão de crédito. Onde tinha limite, eles mexeram", contou.
Renata só ficou sabendo do caso, quando chegou em casa e ouviu a conversa do marido ao telefone. Foi aí que ela começou a desconfiar que se tratava de um golpe.
"Achei estranho o jeito que a pessoa falava e os valores que ela citava. Pedi para o Dario silenciar [o celular]. Quando fomos ver se o número de telefone era mesmo do nosso advogado, a pessoa desligou, mas já tinha feito várias transferências. Enquanto a gente ainda tentava entender, eles continuaram mexendo nos bancos", contou.
Após perceber o golpe, o casal passou a entrar em contato com os bancos e bloquear as contas.
Cmprovante de transferência feito durante o golpe aplicado contra um casal de Ribeirão Preto (SP)
Arquivo pessoal
Impacto financeiro
Segundo Renata, o prejuízo chega a R$ 53,4 mil e praticamente toda a reserva financeira do casal foi levada.
O dinheiro era usado tanto para as despesas da casa quanto para manter o trabalho de Dario, que é autônomo e depende de capital para comprar mercadorias.
Era o dinheiro que a gente tinha para tudo. Para pagar contas, para manter a casa e para o trabalho do Dario. Era o giro dele. Hoje ele não tem nem como sair para trabalhar. Não tem dinheiro para rodar. É desesperador, porque é daí que vinha nossa renda
Ainda segundo Renata, as contas de janeiro estão pagas, mas o casal enfrenta incertezas para os próximos meses, já que só o salário dela não é suficiente para manter as despesas.
"Fevereiro vai começar e a gente não tem ideia de como vai fazer. Eu trabalho, mas só o meu salário não dá para segurar tudo. A gente perdeu tudo o que tinha guardado".
Neste momento, o casal tem contato com a ajuda de amigos, mas espera resolver a situação o quanto antes.
Boletim de ocorrência e investigação
Após o golpe, Dario e Renata registraram boletim de ocorrência e foram orientados a apresentar comprovantes e registros das transações para formalizar a representação.
Renata afirmou ao g1 que o agendamento para prestar depoimento foi marcado só para junho e revelou que está angustiada com a demora.
"A gente ficou sem chão. O golpe acabou de acontecer, o dinheiro foi embora agora, e a orientação é que a gente espere meses. Dá uma sensação de impotência muito grande".
*Sob supervisão de Flávia Santucci
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