Carnaval de rua do Rio: veja curiosidades da história dos blocos e imagens clássicas da folia

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
Carnaval de rua do Rio: curiosidades da história dos blocos e imagens clássicas da folia O carnaval de rua Rio extrapola marcos oficiais de nascimento e existe há séculos. O RJ2 reuniu curiosidades, histórias e imagens clássicas dos blocos da cidade, que criaram identidade própria ao longo da história. Não há uma data exata que marque o nascimento do carnaval de rua carioca. Há registros da festa ainda no período do Império, mas a origem é difusa, construída aos poucos por diferentes grupos sociais. A partir deste sábado, a cidade entra oficialmente em clima de festa. Segundo a Riotur, cerca de 7 milhões de pessoas são esperadas nas ruas durante o Carnaval de 2026. Segundo o crítico cultural e professor da PUC-Rio Miguel Jost, o Carnaval que se formou no Centro da cidade e em regiões como Estácio, Gamboa e Saúde nasceu da mistura de culturas trazidas por migrantes, especialmente do Nordeste, no fim do século XIX e início do século XX. “Muitos dos primeiros ranchos eram formados por baianos, sergipanos, pernambucanos, alagoanos, que disputavam espaço para ver quem tinha o melhor estandarte, o melhor porta-bandeira e mestre-sala”, explica. O pesquisador Nei Lopes cita o romance Memórias de um Sargento de Milícias, publicado em 1854 por Manuel Antônio de Almeida, como um dos primeiros registros literários de uma festa popular no Rio com personagens vestidos de forma semelhante às futuras baianas das escolas de samba. Nem sempre foi samba Embora hoje seja impossível imaginar o Carnaval sem samba, o gênero musical chegou depois da popularização da festa. No início do século XX, o Carnaval carioca era embalado por uma mistura de ritmos brasileiros e estrangeiros. Grupos como o Caxangá, que reunia nomes como Pixinguinha, Donga e João Pernambuco entre 1917 e 1918, se inspiravam em toadas sertanejas. Em 1916, por exemplo, a música mais cantada no Carnaval do Rio não foi um samba, mas um one step de origem jamaicana que acabou se transformando em marcha carnavalesca. Carnavais que entraram para a história Alguns anos ficaram marcados de forma especial na memória da cidade: 1919: o fim da epidemia da gripe espanhola levou mais de 400 mil pessoas às ruas. O Cordão da Bola Preta, fundado em 1918, já era um dos destaques. 1936: o filme Alô, Alô Carnaval levou para as telas e para as ruas a magia da festa, com estrelas como Carmen Miranda. 1946: o chamado “Carnaval da Vitória” celebrou o fim da Segunda Guerra Mundial. Blocos icônicos Nova versão do carro alegórico do Cacique de Ramos, com escultura de Bira Presidente Amanda Prestes/Divulgação O Cordão da Bola Preta segue como o bloco mais antigo do Rio. Outros que se destacam pela história são os tradicionais como o Bafo da Onça e o Cacique de Ramos. Fundado há 65 anos, o Cacique de Ramos é mais do que um bloco: é um dos maiores celeiros da música popular brasileira. Dali surgiram o grupo Fundo de Quintal e artistas como Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Sombrinha. “O Cacique recebeu toda essa energia da região e construiu um legado imenso. São histórias, músicas e ídolos que nasceram aqui”, diz o carnavalesco André Cezari. Em 2026, o bloco desfila na Avenida Chile no domingo, na segunda e na terça-feira de Carnaval, em um circuito que homenageia seu fundador, Bira Presidente, morto no ano passado. “A gente desfila com o coração apertado, mas com muita garra, fazendo tudo para que ele ficasse feliz”, afirma Karla Marcely, presidente do Cacique. “É um desfile totalmente dedicado a ele”, completa a diretora Christian Kelly. Desfile antigo no Rio Reprodução/RJ2 Carnaval e política: das Diretas Já aos blocos da Zona Sul Retomada dos blocos da Zona Sul nos anos 80 uniu política e folia Reprodução/RJ2 O Carnaval de rua da Zona Sul renasceu nos anos 1980, especialmente durante o movimento das Diretas Já, em 1985, quando manifestações políticas ocuparam as ruas. Dessa época nasceram blocos que seguem arrastando multidões, como o Simpatia É Quase Amor, em Ipanema, e o Barbas, em Botafogo. Segundo Rita Fernandes, pesquisadora e presidente da associação Sebastiana, o Carnaval de rua ressurgiu como movimento cultural a partir das mobilizações políticas do fim da ditadura. “Ele começa a engrenar nos anos 80, se consolida em 1985 e explode nos anos 2000. Hoje são mais de 800 blocos conhecidos, além dos não oficiais, ocupando a cidade inteira.” Samba como crônica da cidade Os sambas dos blocos também contam a história do Rio. Letras falam de crises econômicas, problemas políticos e do cotidiano carioca com humor e ironia. “Tem samba que brinca com a falência da prefeitura, por exemplo”, lembra o compositor Tomaz Miranda. Um deles ironizava a crise fiscal dos anos 1990: ‘Bloquearam nossa conta e o Rio faliu…’. Para Miguel Jost, o Carnaval de rua é uma das maiores manifestações artísticas do mundo. “É uma obra de arte total. Elementos sonoros, visuais, dança, política, afeto. Uma força estética, cultural e social que não encontra paralelo em nenhum outro lugar.”

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/carnaval/2026/noticia/2026/02/11/carnaval-de-rua-do-rio-veja-curiosidades-da-historia-dos-blocos-e-imagens-classicas-da-folia.ghtml


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