As plantas do Brasil que têm formas tão estranhas que parecem extraterrestres

  • 06/04/2026
(Foto: Reprodução)
Essas plantas do Brasil parecem de outro planeta — e são reais iNaturalist Flores que lembram criaturas alienígenas, plantas que vivem escondidas no subsolo e espécies capazes de capturar insetos com armadilhas pegajosas. Em diferentes biomas do Brasil — dos campos rupestres de Minas Gerais aos paredões isolados do Monte Roraima — a evolução produziu organismos tão incomuns que parecem ter saído de um cenário de ficção científica. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Para a maioria das pessoas, uma planta é um organismo verde que cresce silenciosamente em busca de luz. Mas a botânica revela que a história é muito mais complexa. Ao longo de milhões de anos, pressões ambientais como solos pobres em nutrientes, pouca luz ou ambientes extremos levaram algumas espécies a desenvolver adaptações extraordinárias. O resultado são formas de vida que desafiam expectativas: plantas carnívoras que digerem insetos, flores que atraem polinizadores imitando o cheiro de carne podre e espécies que abandonaram completamente a fotossíntese. Aqui, o Terra da Gente reúne algumas das plantas mais estranhas conhecidas pela ciência — espécies que parecem ter vindo de outro planeta, mas que fazem parte da biodiversidade da Terra. VIU ISSO? Homem grava boipeva tentando engolir sapo-cururu enorme Filhote da jiboia mais rara do mundo é encontrado vivo pela 1ª vez em SP VÍDEO: Lagartas se unem e reagem em grupo para se defender; entenda o comportamento A pequena caçadora de tentáculos pegajosos Exemplar de Drosera communis tele_daniel / iNaturalist À primeira vista, a Drosera communis parece uma planta delicada. Suas folhas são cobertas por pequenas gotas brilhantes que lembram orvalho ao sol. Mas essa aparência engana. As gotas são, na verdade, mucilagem pegajosa produzida por estruturas glandulares chamadas tricomas. Quando um inseto pousa sobre a folha, fica imediatamente preso nessa substância adesiva. A partir daí, começa um processo lento. Os tentáculos da folha se curvam gradualmente em direção à presa, aumentando o contato com as enzimas digestivas liberadas pela planta. Registro feito em São Paulo nabelima / iNaturalist Pesquisas realizadas na Serra do Cipó, em Minas Gerais, mostram que essas plantas desenvolveram estratégias sofisticadas para atrair e capturar presas. A captura de insetos fornece nutrientes essenciais — principalmente nitrogênio — que são escassos nos solos onde essas plantas vivem. Essas pequenas caçadoras são comuns em áreas úmidas de campos rupestres e brejos da Mata Atlântica e do Cerrado. A planta que vive como um “vampiro” subterrâneo Milho-de-Capoeira (Lophophytum mirabile) joaofarah / iNaturalist Entre as plantas mais estranhas do Brasil está o Lophophytum mirabile, uma espécie parasita que passa quase toda a vida escondida debaixo da terra. Diferentemente da maioria das plantas, ela não possui folhas nem realiza fotossíntese. Em vez disso, conecta-se às raízes de outras árvores para obter nutrientes. Por causa de sua aparência incomum — um corpo carnudo e escamoso que emerge do solo apenas para florescer — a espécie às vezes é comparada às misteriosas plantas do gênero africano Hydnora. Veja o que está em alta no g1 hoje: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Lophophytum pode passar anos totalmente oculto sob o solo da floresta. Quando finalmente emerge, forma estruturas que lembram tubérculos ou massas orgânicas de cor marrom-avermelhada Esse estilo de vida extremo é um exemplo de como algumas plantas evoluíram para abandonar completamente a estratégia tradicional de captar energia do sol. Aristolochia gigantea: a flor que sequestra insetos Papo-de-Peru (Aristolochia gigantea) alessandradalia / iNaturalist Com pétalas que podem ultrapassar 30 centímetros, a Aristolochia gigantea chama atenção tanto pelo tamanho quanto pelo aspecto incomum. A flor possui coloração roxa e marrom, com padrões que lembram carne em decomposição. Essa aparência não é coincidência: ela ajuda a atrair moscas, que acreditam estar diante de uma fonte de alimento ou local para depositar ovos. Quando o inseto entra na flor, fica temporariamente preso em uma câmara interna coberta por pequenos pelos voltados para baixo. Durante esse período, o animal entra em contato com o pólen da planta. Papo-de-Peru (Aristolochia gigantea) alessandradalia / iNaturalist Depois de algumas horas, os pelos murcham e o inseto é liberado — agora carregando o pólen para outra flor. Esse mecanismo engenhoso transforma o polinizador em um visitante involuntário, garantindo a reprodução da planta. As plantas-jarro do Monte Roraima Heliamphora nutans thierrycordenos / iNaturalist No topo do Monte Roraima — uma gigantesca montanha de topo plano localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana — vive um grupo de plantas carnívoras conhecidas como Heliamphora. Essas espécies possuem folhas modificadas em forma de jarro, que funcionam como armadilhas naturais para insetos. A estrutura forma um funil que acumula água da chuva. Insetos atraídos pelo néctar produzido pela planta escorregam para dentro do jarro e acabam se afogando no líquido. O isolamento geográfico do Monte Roraima e de outras montanhas semelhantes, chamadas de tepuis, criou verdadeiras “ilhas biológicas” no topo dessas formações. Estudos sobre a flora desses ambientes mostram que o isolamento favoreceu o surgimento de espécies altamente especializadas e muitas vezes exclusivas dessas montanhas. Sempre-vivas que parecem esculturas Chuveirinho (Paepalanthus chiquitensis) juanc_munoz / iNaturalist Nos campos rupestres da Chapada Diamantina e da Serra do Espinhaço, uma paisagem aparentemente árida revela um dos cenários botânicos mais singulares do país. Ali crescem espécies do gênero Paepalanthus, conhecidas como sempre-vivas. Essas plantas formam rosetas perfeitamente simétricas, das quais surgem hastes finas com pequenas inflorescências arredondadas. Vistas em grandes campos, parecem pequenas antenas ou pompons espalhados pelo solo. Além da forma geométrica curiosa, essas plantas também chamam atenção por sua durabilidade: mesmo depois de colhidas e secas, mantêm aparência praticamente intacta por anos. Essa característica explica o nome popular “sempre-viva”. Wunderlichia mirabilis: a árvore coberta de veludo Exemplar de Wunderlichia mirabilis enchplant / iNaturalist Nos topos rochosos do Cerrado cresce uma planta que parece saída de uma pintura surrealista. A Wunderlichia mirabilis forma troncos retorcidos que, durante a floração, produzem grandes estruturas cobertas por uma densa camada de pelos brancos. Essa espécie ficou conhecida como “flor-do-pau”. De longe, suas inflorescências lembram bolas de algodão presas aos galhos secos. Os pelos que recobrem as flores funcionam como proteção contra radiação solar intensa e ajudam a reduzir a perda de água em ambientes extremamente secos. Plantas “alienígenas” que não vivem no Brasil Exemplar de Rafflesia arnoldi marcel-silvius / iNaturalist Algumas das espécies mais estranhas da botânica mundial não ocorrem no Brasil, mas ajudam a ilustrar até onde a evolução pode chegar. A Rafflesia arnoldii, encontrada nas florestas da Indonésia, produz a maior flor individual do planeta. Ela pode ultrapassar um metro de diâmetro e pesar até 10 quilos. A flor exala um cheiro forte de carne em decomposição, o que atrai moscas responsáveis pela polinização. Outra espécie curiosa é a Monotropa uniflora, conhecida como “planta-fantasma”. Totalmente branca e translúcida, ela não possui clorofila e não realiza fotossíntese. Em vez disso, obtém energia por meio de uma relação indireta com fungos que vivem no solo das florestas. Por que algumas plantas parecem tão estranhas? Para os cientistas, essas formas incomuns são resultado direto da adaptação evolutiva. Em ambientes pobres em nutrientes, como os campos rupestres, algumas plantas passaram a capturar insetos. Em florestas sombreadas, outras abandonaram a fotossíntese e passaram a viver como parasitas. Já em regiões isoladas, como o topo do Monte Roraima, populações de plantas evoluíram separadamente por milhões de anos, dando origem a espécies únicas. O que parece estranho ou alienígena, na verdade, é apenas a prova da enorme criatividade da evolução. Espalhadas por florestas do Brasil, muitas dessas plantas continuam crescendo discretamente — lembrando que o planeta ainda guarda formas de vida capazes de surpreender até mesmo os cientistas. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/04/06/as-plantas-do-brasil-que-tem-formas-tao-estranhas-que-parecem-extraterrestres.ghtml


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