Amigos e parentes protestam após morte de moradora em operação no Complexo do Salgueiro: 'Quem matou minha irmã?'

  • 30/03/2026
(Foto: Reprodução)
Amigos e parentes protestam após morte de moradora em operação no Complexo do Salgueiro Parentes e amigos de Andressa Nogueira do Nascimento, de 35 anos, protestaram nesta segunda-feira (30) nas margens da BR-101, na altura de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, pela morte da moradora, atingida por um tiro durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro. O enterro dela foi no sábado (28). Andressa morava na Comunidade das Palmeiras e deixa cinco filhos. "Quem matou a minha irmã? Qual foi a bala que matou a minha irmã? De quem foi a ordem? Até quando vão matar mãe, favelada, periférica? Estão matando minoria, a gente é minoria dentro de uma comunidade", questionou a irmã Ana Paula. A moradora tentava encontrar o filho, que brincava na rua, na hora da operação. Moradores e policiais oferecem versões diferentes para a dinâmica da operação. Testemunhas dizem que os policiais atiraram sem critério e "a esmo". Já a PM diz que a ação era para remover barricadas e que pediu apoio da Polícia Rodoviária Federal para acessar parte do Complexo. Por sua vez, a PRF diz que "até o momento, toda dinâmica indica que a moradora foi atingida por disparo realizado da mata pelos bandidos quando as equipes da PRF faziam o resgate de policiais militares presos no local". 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Andressa Nogueira do Nascimento tinha 35 anos e foi baleada na cabeça Reprodução TV Globo Dor e revolta no enterro A despedida aconteceu no Cemitério Parque da Paz. Durante o velório, familiares lembraram da rotina da vítima e da luta para sustentar a casa. "Ela trabalhava, fazia os biscates dela, fazia faxina, fazia comida, fazia tudo, mas ela não deixou faltar um pão dentro de casa", disse o filho mais velho, Carlos Victor Nogueira da Silva. Ele também relatou o momento em que a mãe foi atingida. "Ela morreu na frente do meu irmão. Meu irmão olhou pra ela e não pode fazer nada (...) quando eu fui lá, ela tava no chão como se fosse nada", lamentou. Em outro momento, ele criticou a classificação do caso como fatalidade. "Fatalidade é entrar em uma comunidade atirando a esmo? Essa é uma fatalidade? o que a gente vai falar pros filhos dela?", cobrou Carlos. Parentes de moradora de São Gonçalo morta durante ação policial se emocionam no enterro Reprodução/RJ2 Como ocorreu a morte Andressa foi baleada na tarde de sexta-feira (27), na Estrada das Palmeiras, durante um confronto entre policiais e criminosos. Segundo testemunhas, ela tentava buscar o filho na rua quando foi atingida. Um tiro atravessou o peito da moradora. Imagens gravadas logo após o disparo mostram o desespero de moradores. "Moradora aqui, óh!!! Caída no chão aqui!" O viúvo da vítima, Carlos Eduardo da Silva, pediu justiça. "Ela sempre falava que me amava, nunca ia me deixar. Quero justiça", cobrou. Familiares acusam policiais de terem efetuado disparos sem critério durante a operação. "Quando eu entrei na comunidade, fui com a moto e a minha irmã foi comigo. Eles atiraram em mim, que tive que me jogar da moto num canto e me esconder no muro. E eles atiram. A polícia atirou de dentro do caveirão", disse o cunhado, Adriano Silva. Segundo ele, Andressa foi atingida ao tentar proteger crianças. "Não sabiam o que tava fazendo. A menina foi buscar duas crianças que tava na rua e pelas costas recebe um tiro", lamenta. Operação e investigação De acordo com a Polícia Militar, a operação tinha como objetivo retirar barricadas na comunidade. Ainda segundo a corporação, equipes foram recebidas a tiros e revidaram. Três policiais militares ficaram feridos por estilhaços, sem gravidade. Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal também foi atingida. A PM afirma que o disparo que matou Andressa partiu de criminosos. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), que tenta identificar a origem do tiro. Protesto após a morte Após o episódio, moradores realizaram um protesto na região durante a noite. Um ônibus foi atravessado na via e houve confronto com a polícia, que utilizou armamento de efeito moral. Após a morte de Andressa, moradores atearam fogo em objetos e fecharam vias do Salgueiro Reprodução Para a família, além da dor da perda, fica a cobrança por mudanças. "O estado não entra na comunidade pra colocar estudo. Não temos quadra no Salgueiro, não temos esporte, lazer, saneamento básico. A gente não tem nada", afirmou Adriano. "Não somos vagabundos, somos trabalhadores indignados com a Justiça que tá aí e não faz nada pela população". O que diz a PM Em nota, a Polícia Militar informou que uma equipe foi ao Complexo do Salgueiro após denúncia sobre um suspeito ferido na região. Segundo a corporação, os agentes foram recebidos a tiros e, durante o confronto, a moradora foi atingida. A PM acrescentou que o policiamento foi reforçado na área. A Polícia Rodoviária Federal afirmou que esteve no local para dar apoio à operação, mas disse que a equipe não efetuou disparos. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG).

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/30/protesto-morte-moradora-sao-goncalo.ghtml


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