Alckmin consesta alegações dos EUA sobre tarifaço e diz que medida é 'injusta e descabida'
Ministros do governo brasileiro contestam as alegações usadas pelos Estados Unidos para justificar as tarifas de 25% anunciadas nesta quarta-feira (15). Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a medida é "injusta e descabida".
"É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque que os argumentos levantados na sessão 301 e aqui vão ser explicitados pelos ministros não tem pa- parte de uma base totalmente falsa. Não tem menor justificativa", afirmou Alckmin.
➡️O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta.
🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
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Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos".
Além do vice
Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço:
PIX;
Corrupção no Brasil;
Ações do STF contra as big techs;
Tratamento injusto na política de tarifas brasileira;
Proteção inadequada à propriedade intelectual;
Tarifas sobre o etanol;
Desmatamento.
Entenda cronologia
O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação nesta quarta (15) de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).
A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café.
O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas.
Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.
O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/16/ministros-contestam-alegacoes-dos-eua-sobre-tarifaco.ghtml