Advogado com nanismo foi eliminado de concurso para delegado em prova de salto de 1,65 m
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Advogado com nanismo diz que foi discriminado em teste de aptidão física
O advogado com nanismo Matheus Menezes, de 25 anos, que denunciou ter sofrido descriminação após ser eliminado no Teste de Aptidão Física (TAF) para delegado em Minas Gerais, contou que foi desclassificado em uma prova que exigia um salto de 1,65 m. Antes disso, ele já havia sido aprovado nas etapas de flexões e corrida.
"Era a coisa mais simples que a banca poderia fazer, reduzir essa distância para uma distância compatível com a minha altura, e no teste de 50 metros, poderia aumentar o tempo para correr, mas ainda sim eu consegui”, afirmou Matheus em entrevista à TV Anhanguera.
Matheus destacou que, após a desclassificação, não pôde realizar a última etapa do teste. Antes da prova, ele havia pedido adaptação no TAF e apresentou laudos médicos à organização do concurso, mas não foi atendido.
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Em nota, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que os exames biofísicos do concurso seguiram as regras previstas no edital e que não havia previsão de adaptação da etapa às condições individuais dos candidatos (leia a nota completa ao final do texto).
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o candidato foi aprovado nas provas objetiva, discursiva, oral e nos exames biomédicos, mas foi considerado inapto na etapa dos exames biofísicos.
Matheus Menezes foi eliminado em prova de salto durante Teste de Aptidão Física (TAF)
Reprodução/Instagram de Matheus Menezes
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Entenda o caso
Segundo o advogado, ele já havia passado pelas provas objetiva, discursiva e oral, além dos exames biomédicos. O problema ocorreu na fase de exames biofísicos, que avaliam a aptidão física dos candidatos.
"Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PCD. Nós solicitamos adaptação do teste físico à banca, apresentamos laudo médico, mas a banca simplesmente ignorou”, afirmou Matheus em entrevista ao g1.
Ele afirmou ainda que levou o caso ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), mas disse que a manifestação foi arquivada. Mesmo assim, Matheus não pretende desistir. "A Constituição e a lei garantem adaptação para pessoas com deficiência. Mesmo assim, fomos submetidos ao mesmo teste físico, o que levou à nossa eliminação de forma injusta”, disse.
O Instituto Nacional de Nanismo realizou uma manifestação pública criticando a eliminação do candidato. Para o instituto, a aplicação de critérios físicos sem avaliação individualizada pode configurar discriminação contra pessoas com deficiência.
Sonho de ser delegado
Matheus Matos durante a prova de impulsão horizontal, etapa do Teste de Aptidão Física do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. Ele afirma que o teste não teve adaptação para sua condição
Reprodução/Instagram de Matheus Menezes
Segundo o advogado, o sonho de se tornar delegado continua apesar da eliminação no teste físico. “Ser delegado é o maior sonho da minha vida. Não vai ser o meu tamanho que vai impedir isso. Quero essa carreira porque sempre tive vontade de trabalhar na área, investigando e combatendo o crime”, relatou.
Agora, Matheus aguarda uma resposta da Justiça em relação ao caso.
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