Absolvido por clemência: durante 15 anos família busca condenação de marido por morte de professora no RS

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
Durante 15 anos família busca condenação de marido por morte de professora no RS Quinze anos após a morte da professora Cleusa Borges do Amaral, em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, o caso segue sem uma definição definitiva na Justiça. Desde então, o processo permanece marcado por disputas em delegacias e fóruns, enquanto a família tenta esclarecer o que ocorreu. Cleusa tinha 46 anos quando foi encontrada morta dentro de casa, em fevereiro de 2011. O marido, Mário Luiz Benetti, afirmou que ela havia tirado a própria vida com três tiros — versão que a defesa dele sustenta até hoje. A família, porém, nunca acreditou que isso tenha acontecido. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O luto e a busca por esclarecimentos transformaram-se em missão para Terezinha Donado do Amaral, mãe da professora. Aos 87 anos, ela segue cobrando desfecho para a morte: "Eu não acredito que uma mãe vai se esquecer um dia que perdeu uma filha assassinada e não ter resposta. Faz 15 anos e a gente não tem resposta nenhuma. Eu quero justiça", diz Terezinha. Segundo familiares, Cleusa já havia demonstrado sofrimento dentro do relacionamento. Em uma conversa lembrada pela irmã, ela teria deixado escapar que enfrentava dificuldades dentro de casa: "Ela disse assim: ‘vocês não sabem o que eu tô passando aqui dentro de casa’. A gente perguntou pra ela, e ela repetia. Então é muito triste. A gente não vai trazer ela de volta", conta Carolina Borges do Amaral Bergmann. Absolvição por clemência Depois de anos de idas e vindas na Justiça e de o Ministério Público oferecer denúncia contra Benetti pelo homicídio, ele foi levado a júri popular apenas em agosto de 2025, quando já tinha 62 anos. Os jurados entenderam que ele atirou e foi o responsável pela morte, mas decidiram absolvê-lo por clemência. 🔎 Nesse tipo de decisão, os jurados podem reconhecer a materialidade do crime, mas optam por perdoar o réu por razões consideradas humanitárias ou de piedade. Na prática, o entendimento do conselho de sentença prevalece sobre as provas apresentadas no processo. Para especialistas, decisões desse tipo revelam como percepções sociais ainda influenciam julgamentos de casos de violência contra mulheres. A promotora de Justiça Ivana Battaglin afirma que, apesar de a chamada "legítima defesa da honra" ter sido considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, valores culturais ainda podem aparecer nos tribunais. "Os jurados representam a sociedade. E a sociedade ainda está impregnada desses valores que entendem que a mulher sempre tem culpa pelo que sofreu. Quando uma mulher sofre violência, muita gente ainda pergunta o que ela fez, se deu causa de alguma forma", afirma. Novo julgamento No fim de fevereiro deste ano, a família enfrentou mais um capítulo na disputa judicial. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul analisou um recurso que questionava o resultado do júri. Durante a sessão, o advogado de defesa, José Antônio Paganella Boschi, voltou a sustentar a tese de que a mulher teria tirado a própria vida e afirmou que familiares teriam interesse em bens deixados pela vítima. Os desembargadores decidiram, por unanimidade, anular o júri que havia absolvido o réu. Com isso, o caso deverá ser julgado novamente. Ainda não há data definida. Para Terezinha, a decisão representa um avanço, mas não encerra a dor de anos de espera. "Minha neta diz: ‘vó, por que tu não sorri?’. E eu digo: 'vou sorrir do quê? Da desgraça de ter perdido minha filha?' Um bandido tirou a vida da minha filha e ainda foi absolvido", diz. A irmã de Cleusa resume o sentimento da família após mais de uma década de processo: "Onde é que está a justiça, se faz 15 anos que nós não temos um resultado final para isso?" O que diz a defesa Em nota, o advogado José Antônio Paganella Boschi afirma que o Tribunal de Justiça anulou o júri por questões formais relacionadas ao registro da tese de clemência na ata do julgamento. Segundo ele, o mérito da decisão dos jurados não foi analisado. A defesa informou que apresentou embargos de declaração e que, caso a decisão seja mantida, pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre o caso, o advogado sustenta que não há prova de homicídio e afirma que Cleusa enfrentava um quadro de depressão. Segundo ele, o próprio Ministério Público teria reconhecido no julgamento que o motivo inicialmente apontado na denúncia — uma suposta inconformidade do marido com o desejo de separação — não ficou comprovado. A defesa também afirma que o réu prestou socorro à esposa e que a investigação teria apontado inconsistências na perícia. Boschi sustenta que o caso se trata de um suicídio. Durante 15 anos família busca condenação de ex-marido por morte de professora no RS Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/07/familia-busca-condenacao-marido-absolvido-clemencia-rs.ghtml


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